Um repentino trovão abate-se sobre a cidade de Paris que já estava pintada de negro pelas espessas nuvens carregadas de mau presságio.
19 de julho de 2011
Lisboa: O Final
Um repentino trovão abate-se sobre a cidade de Paris que já estava pintada de negro pelas espessas nuvens carregadas de mau presságio.
23 de junho de 2011
Lisboa: O Retorno
6 de maio de 2011
Lisboa: A Entrega (Últimos episódios!)
31 de março de 2011
Lisboa: Reencontro

Afonso encontrara o apartamento de Brigitte logo no segundo dia da inconsciente viagem, mas ainda não tinha arranjado a coragem de lá ir…
Sai novamente na mesma estação onde ontem estivera e olha para o pequeno tosco prédio de três andares, de parede branca com umas colunas aqui e ali, com grandes janelas de aspecto frágil e com um velho telhado cinzento. Bem ao estilo parisiense…
Entra no familiar edifício e dirige-se à porta número 7. Pára, olha para o inquieto número a vermelho, suspira e, sem saber o que fazia, prega um surdo murro que agitou toda a amedrontada porta.
Afonso estremece com cada passo dado do outro lado da fina porta que ainda tremia. O compasso de espera matava-o de ansiedade. Até que finalmente a porta se abre e um alto rapaz loiro, de olhos azuis, atlético, de tronco nu e apenas de calças de pijama aparece junto dela e começa logo a analisar Afonso com um ar ensonado.
A bocejar e a coçar a cabeça com cabelos longos e desgrenhados falou:
-Qui êtes-vous?
Afonso atarantado responde:
- Hi, I can’t speak french… Sorry, but… Is there any Brigitte?
O rapaz loiro, desconfiado, grita para dentro do desarrumado apartamento:
- Brigitte! Voici un stupide anglais! – E volta para dentro do apartamento.
Ouviu-se um breve chinelar irritante e lá estava ela, tal e qual como ele a lembrava… Uma rapariga de longos cabelos castanhos claro, de olhos de um azul penetrante e com o seu característico ar francês que tanto ele adorava.
- Afonso?! – Ele esboça um sorriso quando ouve o seu nome a ser pronunciado por ela com o seu familiar arranhado sotaque francês – What the fuck?! You… Here? In Paris?
-Brigitte, I can’t, I just can’t… - Com isto Afonso agarra-a e beija-a.
O rapaz loiro volta e começa a gritar.
4 de fevereiro de 2011
Lisboa: Paris
Sozinho entrou no grande avião de aspecto débil. Sentou-se no seu tímido lugar perto de uma janela e começou a relembrar todos os seus atribulados momentos que tivera desde que conhecera Brigitte.Uma pequena e inconveniente lágrima desceu-lhe pelas vermelhas maças do rosto que se destacavam na sua pálida pele branca. Levou de imediato a mão à lágrima e chutou-a para fora da sua face.
Afonso sabia que tinha cometido uma loucura e a sua consciência martirizava-o com o facto de ter gasto 58 € num low cost rasca, de ter comprado apenas um bilhete de ida e, o pior de tudo, ir atrás de uma estrangeira qualquer que lhe deu a volta à cabeça.
A sua berrante consciência foi interrompida pela monótona voz do comandante do avião que dava conta da partida. Afonso ajeita-se na cadeira e deita um último olhar à sua Lisboa à beira do Tejo. Suspirou e fechou os cansados olhos.
Abriu os olhos algo atarantado devido ao curto atribulado sono que tivera naquelas 2 horas de viagem. Afonso termia devido aos cruéis sonhos que impiedosamente ainda vagueavam pela sua cabeça.
Afonso olhar pela pequena janela do avião e depara-se com um imenso cenário cinzento e tempestuoso. A observação foi interrompida, mais uma vez, pelo comandante que avisou o fim da viagem.
Afonso acabara de chegar a Paris…
6 de janeiro de 2011
Lisboa: A Chuva
Sobe, pesarosamente, as íngremes escadas de mármore que, com o desgaste do tempo, tinham numerosas falhas.
Pára defronte à porta do apartamento que dividia com Frederico e suspira… Estava já com medo com o que sabia que ia fazer.
Lentamente coloca a pequena fria chave na velha e enferrujada fechadura. A porta abre-se e ele precipita-se para dentro do apartamento.
Pousa a pesada mala apinhada de livros no pequeno hall e dirige-se, apressadamente, ao seu pequeno quarto. Entra, dirige-se ao roupeiro e começa a vasculhar no meio da desarrumação.
-Afonso! – Interrompe-o uma pesada voz marcada pela desilusão.
Afonso deixa escapar um pequeno grito graças ao sobressalto e vira-se maquinalmente.
-Frederico?! O que fazes aqui? – Pergunta Afonso atrapalhado.
-Desisti de assistir àquela aula intragável…- Responde.
-Assistir? Estavas a dormir – Refuta Afonso que, como viu que a conversa afinal não era séria, já tinha virado costas a Frederico para continuar a procurar o que lhe faltava.
-Ok… Na verdade só corri pelo metro todo à procura do paspalho do meu amigo com medo que se metesse em m*rda da grossa… - Atira Frederico num tom severo.
-O quê?! – Volta-se novamente Afonso algo embasbacado.
-Eu sei lá… Desde que a estúpida da francesa se foi embora nunca mais foste o mesmo – Diz Frederico num tom ameaçador.
Afonso sem saber o que dizer olha novamente para o roupeiro e finalmente vê o grande malão cinzento que procurava. O silêncio apodera-se e Afonso retira a mala do roupeiro e começa a enchê-la de roupa.
-O que pensas que estás a fazer?! – Pergunta Frederico preocupado.
- Vou a Paris, tenho um assunto pendente! – Responde friamente Afonso.
- Tu és mesmo burr… - Frederico não termina a cruel palavra quando vê a cara de agonia de Afonso. Frederico suspira e, arrependido, abraça Afonso com força.
-Por favor… - Diz Afonso a desprender-se do apertado abraço – Confia em mim, pelo menos tu…
- Eu confio… Desculpa…
Ambos se assustaram com o forte clarão que invadiu o pequeno quarto sem permissão e com o apocalíptico estrondo que lhe seguiu.
Afonso ignora a característica asneira do calão português por parte de Frederico e olha para a amedrontada velha janela que era já fustigada pela grossa chuva que caia furiosamente.
21 de novembro de 2010
Lisboa: A Dor
-Afonso! Desde que a francesa se foi embora que não paras de soluçar! Tens mesmo de a esquecer, pah!
Afonso, irritado, atira o caderno para o fundo da mochila, agarra nela e sai da entediante aula sem nada dizer a Frederico que apenas abanava a cabeça num sinal de reprovação.
Ele, já de headphones nos ouvidos, entra no habitual transporte que transbordava de pessoas.
A viagem é curta, mas realmente longa para Afonso, pois queria mesmo chegar a casa para explodir com a dor que se aglomerava desde a manhã desse dia…
Ele, por ironia do destino, engana-se uma vez mais. Uma vez mais sai na estação do Rossio. Ele sai do metro. Olha em volta e o terror aliado à dor espeta-se ferozmente no coração de Afonso que agora raramente bombeava.
Ele, atacado pela angústia, cai desamparado no chão. Deixa a dor devorar cada milímetro do seu corpo. Começa a chorar e, quando um desafinado grito de dor ameaça se expressar, leva as trémulas mãos à boca para o calar.
Revoltado Afonso levanta-se e grita sem voz: Isto não fica assim! Eu prometi-te que não te deixaria ir!
9 de novembro de 2010
Lisboa: A Despedida

Volta para os braços de Afonso e mostra-lhe a foto do momento do suave beijo.
Assim passam todo o frio mês de Novembro. Afonso escapulia-se das aulas sempre que podia para ir ter com a sua Brigitte. Encontravam-se em todo o lado. Em Belém, na Expo, nos Restauradores, em Benfica, no Rossio, em todo o lado. Mas, no fim de Novembro, Brigitte, de semblante misterioso, envolve-se nos braços de Afonso. Olha-o nos olhos e diz:
-Take it! – Ela, a tremer, entrega-lhe a modesta magnífica foto que saiu da Polaroid no dia em que se conheceram.
-In the future, if you need me you will look to the picture. You...
-Bri! Why are you so serious? – Pergunta ele já desconcertado.
-Afonso. Tomorrow I’ll be in a flight, to Paris. I must go…
-What?! Tomorrow?! But…
-Shh… - Silencia-o ela com a ajuda do dedo indicador que, delicadamente, escorrega pelos lábios dele.
Depois de se desprender Afonso continua:
-I promised that I wouldn’t let you go!
-I must go! My life is not here. And your life is not in France, because I’m not a part of your life Afonso. – Responde-lhe Brigitte que por momentos deixa escapar uma lágrima.
-Are you insane? – Grita-lhe Afonso. Ela retrai-se, amedrontada. Ele, arrependido, abandona a fúria que lhe transfigurava a cara e, suavemente, diz:
-Please! Bri… I just can’t.
-Afonso, you always knew that I was in Portugal only to visit, not to live! And I hate goodbyes so, it’s only a see you later…
-But do me one last favor: Kiss me…
Afonso, de lágrimas a brotarem-lhe dos olhos, envolve os braços nela e beija-a como nunca antes o fizera. Os lábios de Afonso encontravam-se com os lábios de Brigitte numa fatal sincronizada dança feroz. Era o último beijo...
1 de novembro de 2010
Lisboa: O Momento.

Ele, de braços pregados na cintura de Brigitte, sussurra-lhe ao ouvido:
-Bri, I present you Praça do Comércio.
Ela, maravilhada, espanta-se com a dimensão da praça. Percorre cada milímetro com os seus apressados olhos azuis que tudo queriam analisar, por fim, com um suspiro, prega os olhos no sedutor rio que se estende logo depois da imponente praça.
-Oh mon Dieu! – Escapa-lhe pelos finos lábios que ainda estavam deformados pelo espanto.
Ela, ansiosa, puxa-o pelo braço e começa a correr pela extensa passadeira que liga o Arco da Rua Augusta à Praça.
-Come on! I want to see the square! – Grita Brigitte.
Ele, a sorrir, deixa-se levar pelo fino braço que o puxava. Ela percorre toda a praça ainda a agarrá-lo, arrasta-o até ao final da calçada e, aí, diz-lhe:
-I want a Picture here! With the river behind!
-Ok, I’ll take it. – Responde Afonso.
-No! I want a picture with you. Larga o braço do rapaz, dirige-se a um lisboeta que por lá passava e aborda-o para lhes tirar uma foto. De bom grado o simpático lisboeta aceita.
Ela, agitada, corre de volta para Afonso e abraça-o. Ele, respondendo ao abraço, recolhe-a nos seus braços e beija-a. Nesse preciso momento o lisboeta, de sorriso na cara, tira a foto.
15 de outubro de 2010
Lisboa: O Começo.

Ele envolve-a com os seus braços e aperta-a contra o seu musculado peito. Ficam, assim, abraçados durante longos preciosos minutos.
Ela, de olhar desafiador, recua e desprende-se dos fortes braços do rapaz lisboeta que acabara de lançar um trejeito de confusão.
Ele abre a boca para lhe perguntar o que acontecera, mas antes da voz se soltar os carnudos lábios foram selados pelo esguio dedo indicador da francesa.
-Shhh- Ordenou ela num sussuro. – My name is Brigitte.- e esboça também ela um sorriso. Um simples, mas sentido sorriso.
Ele, ainda atarantado, responde a gaguejar:
-Oh! What a wonderful name! – Sorri. – My name is Afonso.
Ela, de ar perturbado, vira-lhe costas. Ele, preocupado, desloca-se agilmente para a sua frente. Agarra, delicadamente, no queixo de Brigitte e, de olhos presos nos dela, pergunta:
-What? I missed something?
Ela, ainda perturbada, responde-lhe:
-Afonso! – Com um carregado sotaque francês. – Oh! I can’t say your name! But I love it.
Ele, aliviado, dá sonoras gargalhadas e responde-lhe:
-It doesn’t matter Bri!
-Bri? - Pergunta ela curiosa.
-Yes! Now you are Bri to me! – Sorri.
Abraça-a e beija a sua testa. Desce os seus perturbantes carnudos lábios até aos ouvidos de Brigitte e sussurra-lhe:
-Let me introduce you Lisbon! My city.
Agarra-lhe pelos pulsos e puxa-a na sua direcção. Com uma engenhosa manobra, toma as suas costas, envolve os braços em Brigitte e, assim, guia-a pela Rua Augusta em direcção ao arco do triunfo, a porta de Lisboa.
27 de julho de 2010
Um Rapaz de Londres II

Farewell London
Como que num impulso afastei-me e dirigi-me à cozinha. A minha mãe já lá estava a andar de um lado para o outro feita louca, eu não lhe dirigi palavra. Ela olhou para mim e acanhadamente diz:
-Bom dia, está uma bela manhã.
-Por favor! Disse eu desprezando-a.
Ela olhava para mim com um ar suplicante e eu retribui-lhe com a maior das mágoas espelhadas no meu olhar.
Fui buscar as malas e despedi-me, lentamente, do meu quarto já vazio. Desci novamente as escadas e fui olhando uma última vez para toda a minha casa. Entrei no carro e pus os phones nos ouvidos, para não haver qualquer oportunidade de contacto entre nós os dois.
O carro começou a andar e eu estremeci. Olhei para toda aquela cidade, aquela cidade que tanto amava. A cidade que me viu crescer e onde eu passei todos os momentos da minha vida. Os bons e os maus. Adeus Londres, vou ter saudades…
21 de julho de 2010
Um Rapaz de Londres I

Passei, dificilmente, pelas amontoadas ruínas e cheguei ao rachado passeio da rua.
Gritei, gritei com todas as minhas forças. Mas ninguém me respondia. Reinava um silêncio perturbador e agonizante. Não havia ninguém, Londres era agora uma cidade deserta.
Comecei a correr, a correr para sítio nenhum. Corria mas nada se aproximava de mim, aliás, até parecia que estava mais afastado de tudo. Ouvi uma súbita explosão e fiquei petrificado, nem me era dada a oportunidade de respirar. Vi um clarão seguido de um som esganiçado e irritante.
Acordo sobressaltado. Estava ofegante, aflito devido ao estranho sonho. Olho para as horas e volto à realidade.
É hoje o dia…




