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12 de maio de 2013

Lamúrias


Afinal nada mudou. Continuo a vaguear incessantemente por entre calçadas alagadas, ou por ruas enlameadas. Continuo a fazer esta minha caminhada sozinho. Continuo a andar para sítio nenhum.
Sim, é verdade. Continuo perdido e a tentar encontrar o tal lugar a que possa chamar de lar, a tal pessoa a que possa confidenciar tudo o que deixei encravado na garganta em tempos mais distantes.
Apenas queria encontrar-me de uma vez por todas, quero ser o gato que brinca na rua.

27 de fevereiro de 2013

Este estúpido rodopio a que chamamos de vida




A vida é efémera, o relógio nunca pára, os segundos vão-se esfumando num emaranhado de emoções e toques a que chamamos de vida. É frequente não darmos valor ao que nos rodeia, é frequente o ser humano não se contentar apenas com as coisas mais simples, como um gesto ou um sussurro. Precisamos de mais, sempre mais. Somos um ser egoísta e mórbido, sem escrúpulos e nojento, vingativo e sedento... Somos burros, parvos... Procuramos e procuramos, sem nunca desistir, por esse mundo fora a nossa alegria, quando ela pode estar a metros de distâncias, apenas a um toque ou a um sussurro. 

19 de janeiro de 2013

You Look Aroused


A vibrante música começa a tocar e nós começamos a dar os primeiros passos com cautela. O corpo começa meio devagar, não respeitando o ritmo da batida seca da música, afinal de contas não me iria empenhar na dança sem antes receber um qualquer sinal de aprovação.
Devagar fomos dançando, nunca parando mas também nunca completamente entregues um ao outro. Finalmente ela correspondeu com apenas um ligeiro sorriso e aí o meu corpo soltou-se e o dela também. Dançamos e dançamos, desta vez ao ritmo da enérgica música e do descompassado coração.
No entanto este efémero momento acabou, outro parceiro apareceu e tu agarraste-lhe logo na mão, largando a minha de seguida. Eu continuei, continuei a dançar, como se nada tivesse acontecido. E ninguém, nem mesmo tu, reparou na minha quebra de ritmo, continuei a dançar de cabeça erguida e, por isso mesmo, ninguém deu conta do profundo golpe que me cravaste na carne!


13 de novembro de 2012

Quero Gritar ao Mundo!



A suave brisa fria acaricia a minha cara à medida que, passo após passo, vou andando pela fria calçada lisboeta. As anónimas pessoas vão passando por mim como que indiferentes figurantes da minha rotineira longa-metragem, os veículos vão gritando em agonia pelas avenidas poluídas de sujidade e hipocrisia, a música vai berrando aos meus ouvidos e o meu cérebro vai-se abstraindo de todo o caótico movimento cosmopolita que vai girando em minha volta.
Do nada fico surdo para o mundo e escuto com atenção a melodia que explode através dos meus auriculares. Solto o corpo, balbucio as letras, abano a cabeça, sorrio e de repente a alma eletriza-se e o corpo estremece com a felicidade que os sons, já bem familiares, lhe dão. Não sei o porquê desta efémera felicidade contagiante, só me apetece gritar, gritar e correr, correr e saltar, saltar e cair, cair e levantar, levantar e gritar ainda mais alto, bradar aos mundos, exclamar às gentes, vociferar até me doer a garganta, ficar sem voz e sem ar nos pulmões!
Apetece-me gritar! 

3 de novembro de 2012

Uma Nova Confusão


O cigarro volta a acender-se, o fumo volta a esvoaçar, a tinta volta a correr e a desgastada caneta, de antigos momentos mais virtuosos, volta a rodopiar no meio de letras e palavras soltas, ao sabor da recente confusão e da nova música.
Volta a rodopiar numa nova dança, como novos protagonistas, novas histórias, novas coreografias confusas que despertam o tímido coração que se encontrava enferrujado depois de meses de apatia...


Eu só queria que algo funcionasse na minha tosca vida, será pedir muito?

2 de outubro de 2012

O Medo


O coração pára, o sangue gela, os punhos cerram-se, os olhos dilatam-se e o grito escapa, inaudível à indiferença do mundo. Petrifico o meu corpo e tento captar tudo o que me rodeia, através da visão turva e da deficiente audição. Os pulmões expandem à medida que o poluído ar entra, as cordas vocais preparam-se e outro grito escorre pela amedrontada boca, este pedia por socorro. O nada responde. 
O berrante silêncio mistura-se com a monstruosa escuridão e dilacera-me as defesas. O meu inútil e cambaleante corpo cai no frio chão, o medo penetra-me a alma e a saudade engole a razão. Assim as lágrimas escapam à medida que este sufocante receio me diz que nunca te terei, nunca...

30 de agosto de 2012

Anoitecer


O calor começa a esmorecer,
a euforia a desgastar.
A alegria começa a desaparecer
e o vento a chegar.

A apatia começa a ameaçar,
as nuvens a enegrecer.
O Invverno retoma o seu lugar
e agora só resta o anoitecer.

Estou perdido uma vez mais...

12 de julho de 2012

The Shadows



I was afraid… The shadows were approaching me and I tried to ignore them, tried to forget their existence. But their dark clouds and their awfully loud noise were too close; I couldn’t just ignore them… It was impossible; they were screaming my name, asking for my soul and flesh!
Sorry… I didn’t step aside, I jumped into the enormous clouds, I embraced the shadows, I ignored you. Sorry. But, in fact, now I found some peace and happiness. I found myself, the one who was lost somewhere for too long. Sorry. I had to do what I did and this time I did it not for you, but for me…
Sorry, I found myself in the shadows and that means there’s no place for you anymore. Goodbye, for life.

7 de julho de 2012

Noite Em Lisboa #2


O rapaz inspira um último bafo no esgotado cigarro e atira-o contra a enferrujada valeta no meio da calçada pombalina. Dá mais uns meros passos e lá encontra os seus amigos apinhados ainda fora do bar. Abana o braço direito ao mesmo tempo que esboça um sorriso para o grupo, ainda de longe. Eram apenas três, duas raparigas e um rapaz, a loira tinha um top azul escuro bastante decotado que lhe fazia sobressair já o seu enorme peito branco, vestia umas esguias calças pretas para complementar. A morena que atara todo o seu longo cabelo numa única trança que lhe descaia pelo ombro direito envergava um curto vestido preto, também ele decotado como se não houvesse amanhã, e calçava uns saltos enormes também eles pretos. O rapaz trouxe uma camisa as riscas vermelhas e brancas e uns calções de ganga preta. Analisa-os por um segundo e pergunta pelos outros dois, a loira responde que foram só atrás do bar fumar. Bastou isto para o rapaz perceber que o quer que os outros estavam a fumar não seria legal fazerem-no em frente ao bar. Mas simplesmente riu-se.
Tira outro cigarro do maço ainda cheio e começa a cantar bem alto a música que vinha de dentro do bar para os amigos, em tom de gracejo: " Give me a second I... I need to get my story straight, my friends are in the bathroom, getting higher than the empire state". Todos se riram.

3 de julho de 2012

Noite em Lisboa #1


Bate com a porta de madeira do seu apartamento com excessiva força, desce o lance de escadas de mármore aos pulos até que encontra a porta que dá para o largo de Camões em plena baixa lisboeta. Atravessa para a estrelada noite quente de Lisboa e respira, a plenos pulmões, o ar mediterrânico aquecido pela brisa e a cheirar a Tejo. Pega no telemóvel atulhado de mensagens dos amigos que já se encontram à sua espera num bar qualquer a meros metros dali. Prontamente começa a andar pela calçada ainda quente do sol forte da tarde abafada, puxa do maço de Marlboro do bolso azul dos calções e tira um esguio cigarro que leva aos lábios. Encontra o perdido isqueiro e acende-o contra a ponta do cigarro que começa de imediato a arder à medida que o primeiro bafo de fumo irrompe pelos pulmões do rapaz que, a passos largos, se vai dirigindo para mais uma noite de diversão, festa, embriaguez e sabe-se lá o que mais aparecerá...

14 de junho de 2012

Vocês


Os sorrisos desvanecem-se, as lágrimas escapam e as mãos começam a tremer. Os olhos a brilhar tentam rigidamente aguentar o dilúvio de emoções nostálgicas que trespassam a estúpida alma irrequieta perante a súbita saudade. Palavras de consolo são disparadas por outra trémula figura: 
-Vamos ter um verão excelente! Vamos estar muitas mais vezes juntos".
O primeiro não se convence com os argumentos do segundo e um soluço ecapa-lhe do peito. Os braços abrem-se e por fim os cinco abraçam-se em conjunto. Eu fecho os olhos à medida que o abraço se torna mais forte. Fecho os olhos para fotografar aquele momento, para ficar com ele para sempre na minha memória, para o guardar dentro de uma alma cheia de saudades.
Obrigado por tudo (:

19 de maio de 2012

Prazer



Os olhos cruzam-se, vacilam por apenas uma fracção de segundos, mas acabam por se impelir para a frente, dominados pelo súbito desejo carnal.
Os braços cruzam-se, os lábios colidem, as línguas dançam, os corações disparam, as mãos procuram-se e assim os corpos se unem.
O ofegante rapaz prende-a contra o seu peito, desvia a face da boca dela para, de seguida, a enterrar no meio dos seus salientes seios. Beija-os de imediato ao mesmo tempo que despe o tosco top e os pequenos calções de ganga da rapariga que solta ofegantes gritos sussurrados enquanto remexe no cabelo dele com as duas mãos.
Do nada a rapariga solta um grito como se farta dos beijos do rapaz. Puxa-o pelo cabelo, empurra-o contra a fria parede branca, arranca-lhe a t-shirt preta do seu corpo e começa a beijar os seus salientes músculos, descendo cada vez mais pelo tronco do rapaz que se vai contorcendo em excitação… Finalmente quando a rapariga lhe tira os boxers ferozmente o narrador decide-se retirar e deixá-los entregarem-se ao prazer carnal.

14 de maio de 2012

Diálogos Aleatórios



-Olá!
-Que queres?
-Que simpatia… Que tal um olá? Só para começar…
-Olá… Melhor?
-Meh…
-Mas afinal que queres tu?
-Apeteceu-me telefonar, sabes é que… não posso caracterizar a minha vida como algo de muito interessante.
-Então telefonas-me para te entreteres um pouco?!
-Pode-se dizer que sim…
-Boa!
-É um pouco triste ter de ser sempre eu a tentar manter a conversa, não é?
-Tu é que me ligas, tu é que supostamente tens alguma coisa para me dizer.
-Raios mais a esse teu humor de merda!
-Cala-te!
-Tu nunca tornas nada fácil.
-Tu complicas tudo!
-Complico?
-Sim… Era mais fácil dizeres logo que me amas!
-Para quê? Para me desligares na cara?
-Não, para te dizer o mesmo, idiota…
-Amo-te.
-Obrigada.
-É só isso que dizes?
-Achei o “eu também” muito cliché.
-Consegues ser tão parva!
-Amo-te.

3 de maio de 2012

Gostava de te Amar



Por vezes gostava apenas de te pegar na mão, de te olhar nos olhos, de te dizer o quanto gosto de ti.
Por vezes gostava apenas de me aproximar de ti, de te pregar um beijo, de te sussurrar verbos proibidos aos ouvidos.
Por vezes gostava apenas de ser homem o suficiente para admitir que te amo! Mas contínuo a dizer-me que é mentira, que estou enganado...

20 de abril de 2012

Distante Voz Ilusória


Não sei como o fazes, não sei o que se passou, nem tão pouco o que virá a acontecer a seguir... Mas de algo podes estar certa: mesmo de longe, do outro lado do velho continente, em terras onde o frio reina e o sol escapa, eu continuo a sentir o teu dócil sussurro no meu desnudado pescoço. Sinto-o a ele e a ti, como se já fosses algo maior que a outra, aquela outra pessoa cujos meus olhos têm dificuldade em se desviar, cujo meu coração tem dificuldade em esquecer...
És apenas uma sedutora voz que, mesmo distante, me fala ao ouvido. És apenas uma voz... Mas uma voz que me vai desviando a atenção da dura e crua realidade! Obrigado.

12 de abril de 2012

Lost



I am lost within a sudden storm that shouts painful screams. They say your name, every second, they scream it louder and louder to my ears, making it impossible to forget.
I try to find the way out of the storm, but the dark troubled sea surrounds me, the constant heavy rain confuses me and the strong wind of sorrow that fall from the grey clouded sky fills my empty soul with sadness and despair.
I am lost and I can’t find neither me nor you, because there’s nothing to be found, nothing worthy of a fight, nothing to live for. I am lost not because I’m trying to find you, but because I know that you’ll never be mine, that this storm will never seize and that my heart will never forget until the last beat.

4 de abril de 2012

Nós?



A berrante música frenética bombava naquele bar de praia onde nos encontrávamos. O álcool em excesso fervilha nas nossas quentes veias e deturpa a visão e o equilíbrio. O corpo mexe-se, quase automaticamente, ao som das batidas secas das grandes colunas pretas. As luzes psicadélicas baralhavam ainda mais o cérebro atordoado. No meio de tudo isto tu vieste ao meu encontro, envolves o meu pescoço com os teus braços e aproximas o teu corpo. Eu respondo ao agarrar-te pela cintura e a puxar-te mais para mim. Ainda a dançar, tu sussurras ao meu ouvido:
-Oh, gosto tanto de ti!
- Eu também de ti – respondo eu a sorrir.
-Tu és espetacular – diz ela.
Continuámos ali, naquele abafado bar, abraçados e a dançar enquanto eu tentava perceber o que estava acontecer. Sempre fomos amigos, por vezes mais íntimos, mas nunca ela me tinha dito tais coisas… Ela sorri-me e eu beijo-lhe a face e depois o pescoço. Ficámos assim por uma fração de segundos que pareceu horas, depois ela larga-me e começa a dirigir-se para a praia logo em frente. Fico sozinho no bar, atarantado, sem saber o que fazer. A música continuou, a bebida aumentou, as luzes não pararam. Eu continuei ali, no bar, sozinho…

19 de março de 2012

O Cigarro


O já familiar cigarro ocasional acende-se de novo. O seu negro e frustrado fumo vai rodopiando em formas bizarras à medida que a suave brisa do inverno seco a empurra para longe da minha visão.
O cigarro chega novamente aos meus lábios secos e eu inspiro apaticamente enquanto que o negro fumo se alastra, novamente, pelo meu cansado corpo. Fecho os olhos e vejo-te. Tu, que também te vais alastrando pela minha irracional carne desejosa, fulminas-me o cérebro e contaminas-me o sangue! 
Expulso através de um prolongado bafo o negro fumo impestado que me vai matando lentamente. A ti não  te consigo expulsar. Tu, ao contrário do cigarro, matas-me rapidamente à medida que envenenas todo o meu corpo apenas porque queres. Apenas porque podes. Apenas porque eu não consigo de parar de te olhar. De te amar.

11 de março de 2012

Tu



Olhas-me e eu estremeço. Tocas-me e eu congelo. Sorris-me e eu acredito. Beijas-me e eu sonho.
És tão depressa o quente sangue que me corre nas frenéticas veias, como és um aguçado e frio punhal pronto a espetar-se-me nas carnes. És tão depressa desejo, como repulsa. Tão depressa loucura, como lucidez. Tão depressa perfeição, como erro. Tão depressa suave, como asfixiante. Tu, tão depressa amor como ódio. Os teus olhos são armadilha, o teu toque queima, o sorriso é falso e o beijo irreal!

5 de março de 2012

Deplorável Negro Lago


Não sei o que se passa, simplesmente não sei. Tudo em minha volta tomou tonalidades negras, ameaçadoras, furtivas, vindas dos confins das trevas. O meu vazio mundo foi finalmente preenchido, ou melhor, inundado por negras águas frias que se abateram sobre o meu fraco corpo nem milhares de facas cortantes e dilacerantes. 
O meu esquartejado ser tenta agora se recompor, depois do dilúvio espesso de escuridão que se abateu. O meu esquartejado ser tenta agora gritar, gritar para tentar sair deste mundo pintado a preto. Mas, quando a minha boca se abre em desespero para pedir por ajuda, os meus frenéticos pulmões contraem-se em súbita agonia por ar. A voz emudece, o som desaparece, a cor neutraliza-se, a escuridão completa-se e eu cerro os cansados olhos e deixo-me afogar naquelas tristes e cruéis marés que aos poucos me vão roubando o que resta da minha mutilada alma.