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7 de julho de 2012

Noite Em Lisboa #2


O rapaz inspira um último bafo no esgotado cigarro e atira-o contra a enferrujada valeta no meio da calçada pombalina. Dá mais uns meros passos e lá encontra os seus amigos apinhados ainda fora do bar. Abana o braço direito ao mesmo tempo que esboça um sorriso para o grupo, ainda de longe. Eram apenas três, duas raparigas e um rapaz, a loira tinha um top azul escuro bastante decotado que lhe fazia sobressair já o seu enorme peito branco, vestia umas esguias calças pretas para complementar. A morena que atara todo o seu longo cabelo numa única trança que lhe descaia pelo ombro direito envergava um curto vestido preto, também ele decotado como se não houvesse amanhã, e calçava uns saltos enormes também eles pretos. O rapaz trouxe uma camisa as riscas vermelhas e brancas e uns calções de ganga preta. Analisa-os por um segundo e pergunta pelos outros dois, a loira responde que foram só atrás do bar fumar. Bastou isto para o rapaz perceber que o quer que os outros estavam a fumar não seria legal fazerem-no em frente ao bar. Mas simplesmente riu-se.
Tira outro cigarro do maço ainda cheio e começa a cantar bem alto a música que vinha de dentro do bar para os amigos, em tom de gracejo: " Give me a second I... I need to get my story straight, my friends are in the bathroom, getting higher than the empire state". Todos se riram.

3 de julho de 2012

Noite em Lisboa #1


Bate com a porta de madeira do seu apartamento com excessiva força, desce o lance de escadas de mármore aos pulos até que encontra a porta que dá para o largo de Camões em plena baixa lisboeta. Atravessa para a estrelada noite quente de Lisboa e respira, a plenos pulmões, o ar mediterrânico aquecido pela brisa e a cheirar a Tejo. Pega no telemóvel atulhado de mensagens dos amigos que já se encontram à sua espera num bar qualquer a meros metros dali. Prontamente começa a andar pela calçada ainda quente do sol forte da tarde abafada, puxa do maço de Marlboro do bolso azul dos calções e tira um esguio cigarro que leva aos lábios. Encontra o perdido isqueiro e acende-o contra a ponta do cigarro que começa de imediato a arder à medida que o primeiro bafo de fumo irrompe pelos pulmões do rapaz que, a passos largos, se vai dirigindo para mais uma noite de diversão, festa, embriaguez e sabe-se lá o que mais aparecerá...

27 de novembro de 2011

O canto de uma cidade, de um povo...


Hoje a UNESCO acabou de anunciar o Fado como património imaterial da Humanidade.
É um orgulho tanto para Portugal como para Lisboa. Cidade em que é nas ruas onde o fado se personifica, em todas as caras da íngreme Alfama, no correr do Tejo, no amarelo dos edifícios antigos, no morno sol, nas palavras latinas e na saudade que paira no ar. Tudo isto é fado, é Lisboa, é Portugal!


7 de novembro de 2011

Lisbon & Estoril Film Festival

Ontem fui a um festival que já me atraía há bastante tempo! O Lisbon & Estoril Film Festival ocupou-me todo o santo domingo num dia em cheio! 

Ides Of March
Ás 17:00 horas, quase em ponto, começa Ides Of March, ou para muitos, o "filme de Cloney". Gostei bastante e, mesmo não estando muito por dentro da política Norte Americana, foi me fácil perceber um pouco como tudo funciona pois o filme é bastante explicito (depois de ver um Árvore da Vida tudo para mim é-me explicito agora!). Cloney fez um bom trabalho na realização mas, na minha opinião, quem se destaca muito neste filme é Ryan Gosling que desde de Blue Valentine tem apresentado performances fantásticas! E aqui está mais uma delas...
É apenas de referir alguns momentos (não vou spoilar quais) em que certas reviravoltas na história foram um pouco forçadas e precipitadas...
16/20

A Dangerous Method
Pelas 22:00 horas lá estava eu novamente no Monumental para assistir ao muito ansiado A Dangerous Method. Fomos saudados pela presença do realizador David Cronenberg que em poucas palavras nos desejou um bom serão. E que bom serão que tivemos! A Dangerous Method superou as expectativas e revelou-se num filme muito bom. Há já uns tempos que fazia falta um filme que tivesse como premissa a história de psicanalistas importantes como Freud, Jung e Spielrein. E Cronenberg conseguiu fazer com eles um filme realmente fantástico! Keira Knightley, na minha opinião, teve o papel da sua carreira (até agora) nesta doente Spielrein, a sua prestação foi assombrosa! Um filme que muito recomendo a todos. E espero bem que seja um dos nomeados para os Oscars de 2012.
17.5/20

11 de outubro de 2011

Tejo


Agarro-te pelo teu frágil braço e arrasto-te pela nossa cidade da saudade. Praguejas comigo e tentas-te soltar das minhas quentes mãos. Eu deixo-te por um segundo, mas logo de seguida abraço o teu delicado corpo e beijo, ao de leve, a tua branca face que, prontamente, respondeu ao meu toque ao encarnar as tuas macias maçãs de rosto. Sorris e, com essa tua graciosa boca, prendes-me com um longo beijo. Eu envolvo a tua desorientada cabeça num dos meus braços, enquanto o outro te puxa contra o meu corpo.
Quando os nossos lábios se saciaram, os meus olhos atravessaram os teus. Sorri e acaricio o teu bonito rosto que também me sorri afectuosamente. Apanhei uma madeixa do teu cabelo castanho que fora arrastado pelo vento e, por fim, deixo-a escapar-se por entre os meus finos dedos.
Juntos olhámos para o nosso reflexo espelhado nas águas calmas do Tejo. Fixei os teus olhos na água e disse-te:
- Dava tudo para ficar assim… Contigo… Para sempre…

15 de agosto de 2011

Viagem à Europa!

Como devem saber eu ganhei uma viagem à Europa com o projecto N@escolas. A viagem começou no dia 30 de Julho e acabou este dia 13.
Ao longo destas duas semanas encontrei uma Europa deslumbrante, mas, acima de tudo, encontrei amigos para a vida! Desde já quero deixar algumas "menções honrosas": Bia, Catarina, a outra Catarina, Clara, Diogo, Miguel, Zé, Florêncio, Nuno, Lionel, as 7ª Geração, Rachel, Pedro, João, Rita, Margarida, Joana, Isa, Paula e Matilde.
Obrigado a todos! A viagem não seria a mesma sem vocês! x)


Bilbao (Espanha)
Chegámos a Bilbao, o primeiro destino da épica viagem. Fomos directos ao museu Guggenheim, o ex-libris da cidade. É um museu de arte moderna e contemporânea que desinteressou metade do grupo. Apenas as formas geométricas nas quais o museu se contorcia é que nos espantou os olhos.  Bilbao, no geral, é um cidade bastante bonita em que o passado consegue viver em grande harmonia com o presente.



Bordeaux (França)
Foi em Bordeaux que, pela primeira vez, encontrámos a França na viagem. A cidade, que nenhum de nós tinha especial expectativa, revelou-se no entanto uma grande surpresa! A cidade francesa era de uma beleza fora do normal e presenteou-nos com vistas e edifícios fantásticos! Mas que "belle ville".


Tours (França)
Esta foi a cidade que o meu grupo apresentou e guiou, apesar de ser uma cidade como tantas outas, por isso um pouco desinteressante, houve pessoas que a adoraram, como o Diogo. Basicamente Tours é uma cidadela onde se tropeça em Catedrais como se elas fossem pedras no chão.


Paris (França)
A tão esperada Paris apresentou-se a nós um pouco cinzenta, mas sem perder um pouco do seu natural encanto! Fomos directos à Torre Eiffel e lá... Tirámos fotos com toda a gente que passava na rua! xD
Mesmo gostando mais de Londres, tenho de admitir que esta cidade respira beleza por todos os lados e que Montmartre é talvez dos bairros mais bonitos de sempre! A vista sobre a cidade da luz é simplesmente magnífica! Notre Dame e Versailles são algo de outro mundo, amei!
J'adore Paris x)


Bruxelas (Bélgica)
Bruxelas tem duas cidades dentro de si... Uma desinteressante e normal. Outra espectacularmente bonita e surpreendente! Se por um lado a Bruxelas moderna é uma desilusão, a Bruxelas antiga é simplesmente linda! Tem a praça mais bonita que vi na vida e umas Waffles tão (MAS TÃO) boas!


Amesterdão (Holanda)
Ai! Amesterdão! O quanto eu te adorei. Para mim a melhor cidade da viagem foi a maior surpresa de todas! Num ambiente sempre festivo Amesterdão apresentou-se a nós com todos os seus vícios! Vimos e cheirámos droga vezes sem conta, e passeámos por entre as montras de mulheres desnudadas em pleno Red Light District! Liberdade e compreensão eram as palavras de ordem, não tivéssemos lá chegado em plena parada gay! xD


Zurique (Suíça)
Depois da loucura de Amesterdão, levámos uma anestesia de boa educação, civismo e calma pela Suíça. Chegámos ao limpo país "neutro" que nos transportou para paisagens lindas. Zurique, uma cidade bastante simples, pequena e calma (mesmo sendo a maior da Suiça O:) maravilhou o nosso olhar e até deu para dar uns fortes mergulhos no Lago Zurique x)


Altdorf (Suíça)
Foi nesta cidade pequena que se percebeu realmente a Suíça! Em Altdorf viam-se os montes característicos, as paisagens verdes, os edificos rústicos, parecíamos num filme daqueles que se passam nos Alpes. Muito bonito mesmo!


Milão (Itália)
E lá chegámos à "bela Itália". Milão apresentou-se logo imponente com a sua exagerada Catedral a deslumbrar os nossos olhos. E as riquíssimas galerias Vittorio Emanuel surpreenderam todos com a sua beleza e com os seus preços...
Milão poderia ser-me mais marcante, mas mesmo assim gostei x)




Génova (Itália)
De Génova quase nada há a dizer. Uma desilusão de cidade! Parece abandonada...
Perdeu a magia.


Mónaco/Cannes (Mónaco/França)
Esta foi uma surpresa da organização, não era para la passarmos mas soube tão bem dar um mergulho tanto no Mónaco como em Cannes! O Mónaco é simplesmente lindo! O:


Arles (França)
Arles, a terra dos quadros de Van Gogh, revelou-se bastante bonita, com um monumento em cada esquina. A pequeníssima cidade vive mesmo da sua história e da de Van Gogh...


Barcelona (Espanha)
Pela seguna vez fui a Barcelona e não me desilude mesmo! Adoro Barcelona, uma cidade cosmopolita que me orgulha dizer que nem parece espanhola! Barcelona e a Catalunha é um mundo à parte de Espanha (Graças a Deus!) e tem uma magia que não deixa ninguém indiferente!
Amo Barcelona!


Saudades...

19 de julho de 2011

Lisboa: O Final

Para veres o episódio anterior: Clica Aqui!

Lisboa: O Final
Ambos saíram da majestosa Torre Eiffel. Afonso segurava a esguia cintura de Brigitte e sussurrava-lhe ao mesmo tempo aos seus delicados ouvidos. Ele afastava os desgrenhados cabelos dela, agitados pelo vento que se tornava feroz, e acariciava a sua feliz face com os seus longos dedos.
Um repentino trovão abate-se sobre a cidade de Paris que já estava pintada de negro pelas espessas nuvens carregadas de mau presságio.
- What?! It was really nice when we left your house… - Disse Afonso, analisando o céu ameaçador.
- I don’t give a shit! I’m with you – Responde Brigitte a sorrir.
Afonso, deliciado, beija-a e envolve-a nos seus fortes braços para a proteger da revoltosa tempestade que ia ganhando força. Os seus já conhecidos lábios dançavam num apaixonado bailado, perfeitamente coreografado e executado, enquanto o vento, aliado com os trovões, rugiam aos ouvidos dos parisienses e dos dois amantes.
Afonso, lentamente, abre os olhos e diz:
-Stay with me…
-Forever – Diz ela comovida.
A pequena fotografia de ambos em Lisboa fora, de súbito, apanhada pela forte tempestade e foi arrastada sem piedade pelo grosseiro vento.
Afonso larga Brigitte e corre atrás da Polaroid que embate no frio chão de Paris no exacto momento em que começa a cair do pesado céu grossas gotas de água.
Afonso apanha a molhada Polaroid e, nesse exacto momento, um berrante som de uma cruel bala disparada irrompe pela frenética cidade que, numa fracção de segundos, se torna sombria e silenciosa.
Afonso olha, cautelosamente, para trás. Vê Brigitte caída na calçada, curiosamente de estilo português, de mãos no peito a jorrar sangue para o chão que já se encontrava alagado pela imparável chuva.
Afonso fica petrificado a olhar para Brigitte e para o tosco mas fatal ladrão que tentava escapar da polícia francesa depois de ter assaltado uma ourivesaria perto da Torre Eiffel e que disparou contra o tímido peito de Brigitte por engano.
Ele, incrédulo, corre na direcção dela. Ajoelha-se e acolhe-a nos seus braços. A chuva embatia nos amantes com força e as lágrimas de Afonso começavam, incessantemente, a brotarem-lhe dos esbugalhados olhos.
-Please… Stay! – Disse ele a agarrar na face dela e a soluçar.
-It would be so perfect… - Dizia ela a divagar.
Afonso agarra-a com mais força contra o seu peito e beija-a nos lábios que já não o acompanhavam na perfeita dança coreografada.
-I’ll always be with you Afonso… - Diz ela. A custo levanta um dos braços e acaricia a face de Afonso ao mesmo tempo que dizia, com o seu sotaque francês:
- Amo-te Afonso.
-Je t’aime – Respondeu ele, beijando-a um última vez.
Um revoltado trovão irrompe nos céus escuros de Lisboa. A cidade da saudade é, assim como Paris, fustigada por terríveis e súbitas intempéries negras que nada mais eram que a materialização de um terrível, amaldiçoado destino cruel.
-Amo-te – Sussurrava ele uma última vez para Bri.





23 de junho de 2011

Lisboa: O Retorno

(Últimos Episódios)
Para ver o último episódio: Clica Aqui!

Afonso ainda estava deitado na cama de sorriso no rosto. Brigitte pegou nas esguias calças de ganga, pegou no top preto que comprara em Lisboa com Afonso a dizer: I Lisbon. E vestiu-o. Ela lança um comprometido olhar a Afonso pois sabia que ele adorava vê-la com aquela t-shirt que lhe acentuavam os já volumosos seios. Ele, que a analisava cuidadosamente, diz:
-I know that shirt.
-Yes… And now it’s my turn to present you Paris. C’mon, get your fat ass off the bed! – Diz ela em jeito de brincadeira.
-Hum…- responde Afonso- Ok, It seems like a good plan!
Rapidamente Afonso se vestiu. Saíram do caótico apartamento e dirigiram-se à, já apinhada, rua parisiense. Estava um dia bonito, o céu estava azul, apenas no horizonte se viam negras nuvens, o clima estava ameno, corria uma morna brisa que permitia ter apenas uma camisola por cima da pele. Havia já aventureiros de calções e t-shirts.
Lado a lado iam caminhando pelas ruas de Paris, Brigitte ia descrevendo tudo o que via. Estava verdadeiramente animada.
Afonso, de súbito pára, agarra na mão de Brigitte para a imobilizar também, com a outra mão agarra-lhe o pescoço e beija-a. Os tão já familiares lábios exploravam-se sempre com a mesma vivacidade e prazer da primeira vez que se beijaram. O repentino beijo foi interrompido por uma suave mordidela de Brigitte no lábio inferior de Afonso. Sorriram e Brigitte pergunta:
-What was that? I was talking!
-I know, I just had a great desire of kissing you – respondeu ele a sorrir maliciosamente.
Ela sorri-lhe e ele exclama:
- Take me to the Eiffel Tower!
-Ok… But that’s so cliché! – Diz Brigitte a revirar os olhos.
- Please… - Suplica Afonso.
-I’m already walking! – Responde-lhe ela.
Rapidamente chegaram à imponente torre de ferro. Entraram num elevador para se conseguir ver a maravilhosa vista sobre Paris. Afonso rodeia Brigitte com os seus braços, aperta-a com força contra o seu peito, encosta os seus lábios nos dela e diz:
-I just want you, for the rest of my life Bri…
Ele tira do bolso a foto que haviam tirado em Lisboa quando se conheceram, deu-lha. Ela agarra na foto e deixa escapar uma lágrima que cai suavemente na foto lisboeta. Eles beijavam-se, novamente, sobre o olhar atento da cidade dos amantes.

6 de maio de 2011

Lisboa: A Entrega (Últimos episódios!)

Pois é, aqui está mais um episódio desta novela que já dura...
Por isso posso já garantir que estamos na fase de: Últimos Episódios

Episódio anterior: AQUI

Lisboa: A Entrega



Afonso ignora o gutural desesperado grito do rapaz loiro e agarra firmemente Brigitte, como se a quisesse proteger.
O rapaz chega, de novo, perto da branca porta, separa-os e, de olhos nos olhos com Brigitte diz muito alarmado:
- Je dois me dépêcher et ne trouve pas ma veste noire! Oh… Après tout, c'est le célèbre garçon portugais? C'est très beau!* – Pisca o olho a Brigitte de forma perversa e volta para dentro do apertado apartamento.
Afonso lança um olhar bastante confuso a Brigitte. Não percebia nada de francês, mas ainda percebia menos de toda aquela curiosa e bizarra situação.
-Oh! – disse ela timidamente com o seu arranhado lindo sotaque – Sorry… That guy was Launce. Ao ver que Afonso ainda estava confuso apressou-se a dizer:
- He is my best friend! He is gay… Relax!
Ao ouvir estas últimas quatro palavras Afonso percebeu toda aquela estranha situação.
-Ah! Ok, I thought… - Foi interrompido por Brigitte que pregara o seu fino dedo nos desejosos lábios dele. Aproxima-se para, uma vez mais, o beijar e ele assente toda aquela tentadora provocação dela.
Não lhe resistindo ele beija-a com paixão e começa, como se de um reflexo se tratasse, a despir-lhe a pequena t-shirt preta decotada com a torre Eiffel no meio dos volumosos seios. Ela esboça um pequeno sorriso enquanto o beijava e, do nada, morde-lhe o lábio inferior suavemente com malícia. Com isto ela arrasta-o para dentro do desarrumado apartamento e guia-o para o seu quarto pouco espaçoso.
Ele cai na pequena cama de Brigitte e ela enrosca-se nele, beijavam-se novamente e iam-se entregando aos suplicantes desejos do prazer carnal à medida que os nervosos descompassados corações bombeavam o frenético sangue por todas as suas tímidas veias.
Launce, ainda desnorteado, entra de rompante no quarto quando já os amantes se encontravam semi-nus. Pára por um momento, esquece o casaco e fixa-se no corpo escultural de Afonso. Brigitte, irritada, grita:
-Sortez Launce! Déficient!
Ele apenas lhe responde com um revoltado revirar de olhos e sai porta fora, deixando-os em paz.
Brigitte fixa o olhar de Afonso e, como se lhe quisesse ler a alma, sussurra:
- You are just mine! Until my death!


*"Tenho de me despachar e não encontro aquele meu casaco preto. Oh... Afinal é este o famoso rapaz português? É bem giro!"

31 de março de 2011

Lisboa: Reencontro

AQUI o último episódio!

Lisboa: O Reencontro

Passada uma semana…


Afonso sai da barata pensão, mais uma vez, cheio de coragem. Atravessa a apertada fria rua e enfia-se no caótico metro já conhecido da sua já conhecida cidade de Paris.
Afonso encontrara o apartamento de Brigitte logo no segundo dia da inconsciente viagem, mas ainda não tinha arranjado a coragem de lá ir…
Sai novamente na mesma estação onde ontem estivera e olha para o pequeno tosco prédio de três andares, de parede branca com umas colunas aqui e ali, com grandes janelas de aspecto frágil e com um velho telhado cinzento. Bem ao estilo parisiense…
Entra no familiar edifício e dirige-se à porta número 7. Pára, olha para o inquieto número a vermelho, suspira e, sem saber o que fazia, prega um surdo murro que agitou toda a amedrontada porta.
Afonso estremece com cada passo dado do outro lado da fina porta que ainda tremia. O compasso de espera matava-o de ansiedade. Até que finalmente a porta se abre e um alto rapaz loiro, de olhos azuis, atlético, de tronco nu e apenas de calças de pijama aparece junto dela e começa logo a analisar Afonso com um ar ensonado.
A bocejar e a coçar a cabeça com cabelos longos e desgrenhados falou:
-Qui êtes-vous?
Afonso atarantado responde:
- Hi, I can’t speak french… Sorry, but… Is there any Brigitte?
O rapaz loiro, desconfiado, grita para dentro do desarrumado apartamento:
- Brigitte! Voici un stupide anglais! – E volta para dentro do apartamento.
Ouviu-se um breve chinelar irritante e lá estava ela, tal e qual como ele a lembrava… Uma rapariga de longos cabelos castanhos claro, de olhos de um azul penetrante e com o seu característico ar francês que tanto ele adorava.
- Afonso?! – Ele esboça um sorriso quando ouve o seu nome a ser pronunciado por ela com o seu familiar arranhado sotaque francês – What the fuck?! You… Here? In Paris?
-Brigitte, I can’t, I just can’t… - Com isto Afonso agarra-a e beija-a.
O rapaz loiro volta e começa a gritar.

4 de fevereiro de 2011

Lisboa: Paris

Clique Aqui - Para ver o último episódio.
Sozinho entrou no grande avião de aspecto débil. Sentou-se no seu tímido lugar perto de uma janela e começou a relembrar todos os seus atribulados momentos que tivera desde que conhecera Brigitte.
Uma pequena e inconveniente lágrima desceu-lhe pelas vermelhas maças do rosto que se destacavam na sua pálida pele branca. Levou de imediato a mão à lágrima e chutou-a para fora da sua face.
Afonso sabia que tinha cometido uma loucura e a sua consciência martirizava-o com o facto de ter gasto 58 € num low cost rasca, de ter comprado apenas um bilhete de ida e, o pior de tudo, ir atrás de uma estrangeira qualquer que lhe deu a volta à cabeça.
A sua berrante consciência foi interrompida pela monótona voz do comandante do avião que dava conta da partida. Afonso ajeita-se na cadeira e deita um último olhar à sua Lisboa à beira do Tejo. Suspirou e fechou os cansados olhos.
Abriu os olhos algo atarantado devido ao curto atribulado sono que tivera naquelas 2 horas de viagem. Afonso termia devido aos cruéis sonhos que impiedosamente ainda vagueavam pela sua cabeça.
Afonso olhar pela pequena janela do avião e depara-se com um imenso cenário cinzento e tempestuoso. A observação foi interrompida, mais uma vez, pelo comandante que avisou o fim da viagem.
Afonso acabara de chegar a Paris…

6 de janeiro de 2011

Lisboa: A Chuva

Ultimo episódio. Clica aqui!

A familiar débil porta escancara-se contra a fria parede de pedra do feio prédio estudantil e Afonso, revoltado, entra.
Sobe, pesarosamente, as íngremes escadas de mármore que, com o desgaste do tempo, tinham numerosas falhas.
Pára defronte à porta do apartamento que dividia com Frederico e suspira… Estava já com medo com o que sabia que ia fazer.
Lentamente coloca a pequena fria chave na velha e enferrujada fechadura. A porta abre-se e ele precipita-se para dentro do apartamento.
Pousa a pesada mala apinhada de livros no pequeno hall e dirige-se, apressadamente, ao seu pequeno quarto. Entra, dirige-se ao roupeiro e começa a vasculhar no meio da desarrumação.
-Afonso! – Interrompe-o uma pesada voz marcada pela desilusão.
Afonso deixa escapar um pequeno grito graças ao sobressalto e vira-se maquinalmente.
-Frederico?! O que fazes aqui? – Pergunta Afonso atrapalhado.
-Desisti de assistir àquela aula intragável…- Responde.
-Assistir? Estavas a dormir – Refuta Afonso que, como viu que a conversa afinal não era séria, já tinha virado costas a Frederico para continuar a procurar o que lhe faltava.
-Ok… Na verdade só corri pelo metro todo à procura do paspalho do meu amigo com medo que se metesse em m*rda da grossa… - Atira Frederico num tom severo.
-O quê?! – Volta-se novamente Afonso algo embasbacado.
-Eu sei lá… Desde que a estúpida da francesa se foi embora nunca mais foste o mesmo – Diz Frederico num tom ameaçador.
Afonso sem saber o que dizer olha novamente para o roupeiro e finalmente vê o grande malão cinzento que procurava. O silêncio apodera-se e Afonso retira a mala do roupeiro e começa a enchê-la de roupa.
-O que pensas que estás a fazer?! – Pergunta Frederico preocupado.
- Vou a Paris, tenho um assunto pendente! – Responde friamente Afonso.
- Tu és mesmo burr… - Frederico não termina a cruel palavra quando vê a cara de agonia de Afonso. Frederico suspira e, arrependido, abraça Afonso com força.
-Por favor… - Diz Afonso a desprender-se do apertado abraço – Confia em mim, pelo menos tu…
- Eu confio… Desculpa…
Ambos se assustaram com o forte clarão que invadiu o pequeno quarto sem permissão e com o apocalíptico estrondo que lhe seguiu.
Afonso ignora a característica asneira do calão português por parte de Frederico e olha para a amedrontada velha janela que era já fustigada pela grossa chuva que caia furiosamente.

21 de novembro de 2010

Lisboa: A Dor

Lisboa: A Dor

Afonso olha para o matreiro relógio, que mais uma vez, teima em se atrasar. Suspira e, aterrando a cabeça no caderno de matemática todo rabiscado, soluça. Frederico, que se encontrava a dormir a seu lado, acorda sobressaltado. Frederico era o melhor amigo de Afonso, desde os dois anos de idade que eles se conhecem… Conheceram-se no infantário e desde muito cedo auto-denominaram-se como irmãos. Frederico, espreguiçando-se, diz a Afonso:
-Afonso! Desde que a francesa se foi embora que não paras de soluçar! Tens mesmo de a esquecer, pah!
Afonso, irritado, atira o caderno para o fundo da mochila, agarra nela e sai da entediante aula sem nada dizer a Frederico que apenas abanava a cabeça num sinal de reprovação.
Afonso dirige-se agora à estação de metro, para ir para casa. Desce as íngremes escadas, uma pesada lágrima cai no frio chão de mármore da estação já apinhada de gente.
Ele, já de headphones nos ouvidos, entra no habitual transporte que transbordava de pessoas.
A viagem é curta, mas realmente longa para Afonso, pois queria mesmo chegar a casa para explodir com a dor que se aglomerava desde a manhã desse dia…
Ele, por ironia do destino, engana-se uma vez mais. Uma vez mais sai na estação do Rossio. Ele sai do metro. Olha em volta e o terror aliado à dor espeta-se ferozmente no coração de Afonso que agora raramente bombeava.
Ele, atacado pela angústia, cai desamparado no chão. Deixa a dor devorar cada milímetro do seu corpo. Começa a chorar e, quando um desafinado grito de dor ameaça se expressar, leva as trémulas mãos à boca para o calar.
Revoltado Afonso levanta-se e grita sem voz: Isto não fica assim! Eu prometi-te que não te deixaria ir!

9 de novembro de 2010

Lisboa: A Despedida

Lisboa: A Despedida

Ela interrompe o suave beijo com um rasgado sorriso. Suspira e delicadamente sai dos braços de Afonso. Recompõe-se e dirige-se ao Lisboeta que ainda segurava na máquina Polaroid que já tinha a foto imprimida.
Volta para os braços de Afonso e mostra-lhe a foto do momento do suave beijo.
Assim passam todo o frio mês de Novembro. Afonso escapulia-se das aulas sempre que podia para ir ter com a sua Brigitte. Encontravam-se em todo o lado. Em Belém, na Expo, nos Restauradores, em Benfica, no Rossio, em todo o lado. Mas, no fim de Novembro, Brigitte, de semblante misterioso, envolve-se nos braços de Afonso. Olha-o nos olhos e diz:
-Take it! – Ela, a tremer, entrega-lhe a modesta magnífica foto que saiu da Polaroid no dia em que se conheceram.
-In the future, if you need me you will look to the picture. You...
-You will know that I kinda love you. – Prossegue Brigitte que com mágoa sorri-lhe.
-Bri! Why are you so serious? – Pergunta ele já desconcertado.
-Afonso. Tomorrow I’ll be in a flight, to Paris. I must go…
-What?! Tomorrow?! But…
-Shh… - Silencia-o ela com a ajuda do dedo indicador que, delicadamente, escorrega pelos lábios dele.
Depois de se desprender Afonso continua:
-I promised that I wouldn’t let you go!
-I must go! My life is not here. And your life is not in France, because I’m not a part of your life Afonso. – Responde-lhe Brigitte que por momentos deixa escapar uma lágrima.
-Are you insane? – Grita-lhe Afonso. Ela retrai-se, amedrontada. Ele, arrependido, abandona a fúria que lhe transfigurava a cara e, suavemente, diz:
-Please! Bri… I just can’t.
-Afonso, you always knew that I was in Portugal only to visit, not to live! And I hate goodbyes so, it’s only a see you later…
-But do me one last favor: Kiss me…
Afonso, de lágrimas a brotarem-lhe dos olhos, envolve os braços nela e beija-a como nunca antes o fizera. Os lábios de Afonso encontravam-se com os lábios de Brigitte numa fatal sincronizada dança feroz. Era o último beijo...

1 de novembro de 2010

Lisboa: O Momento.

Lisboa (3º episódio)
Clica aqui → Se quiseres ler o episódio passado!

Ele, de braços pregados na cintura de Brigitte, sussurra-lhe ao ouvido:
-Bri, I present you Praça do Comércio.
Ela, maravilhada, espanta-se com a dimensão da praça. Percorre cada milímetro com os seus apressados olhos azuis que tudo queriam analisar, por fim, com um suspiro, prega os olhos no sedutor rio que se estende logo depois da imponente praça.
-Oh mon Dieu! – Escapa-lhe pelos finos lábios que ainda estavam deformados pelo espanto.
Ela, ansiosa, puxa-o pelo braço e começa a correr pela extensa passadeira que liga o Arco da Rua Augusta à Praça.
-Come on! I want to see the square! – Grita Brigitte.
Ele, a sorrir, deixa-se levar pelo fino braço que o puxava. Ela percorre toda a praça ainda a agarrá-lo, arrasta-o até ao final da calçada e, aí, diz-lhe:
-I want a Picture here! With the river behind!
-Ok, I’ll take it. – Responde Afonso.
-No! I want a picture with you. Larga o braço do rapaz, dirige-se a um lisboeta que por lá passava e aborda-o para lhes tirar uma foto. De bom grado o simpático lisboeta aceita.
Ela, agitada, corre de volta para Afonso e abraça-o. Ele, respondendo ao abraço, recolhe-a nos seus braços e beija-a. Nesse preciso momento o lisboeta, de sorriso na cara, tira a foto.

15 de outubro de 2010

Lisboa: O Começo.

Uma leitora do blog desafiou-me a continuar a história do post "Um dia de Lisboa" e aqui está a continuação :D
Espero que gostem.
Ps: Estes textos contem diálogos em Inglês, desculpem =X Tenho que manter a "credibilidade" da história xD
Lisboa: O Começo.



Ele, ainda com os lábios encostados aos dela, esboça um sincero sorriso que lhe transfigura a face. Suspira e volta a beijá-la.
Ele envolve-a com os seus braços e aperta-a contra o seu musculado peito. Ficam, assim, abraçados durante longos preciosos minutos.
Ela, de olhar desafiador, recua e desprende-se dos fortes braços do rapaz lisboeta que acabara de lançar um trejeito de confusão.
Ele abre a boca para lhe perguntar o que acontecera, mas antes da voz se soltar os carnudos lábios foram selados pelo esguio dedo indicador da francesa.
-Shhh- Ordenou ela num sussuro. – My name is Brigitte.- e esboça também ela um sorriso. Um simples, mas sentido sorriso.
Ele, ainda atarantado, responde a gaguejar:
-Oh! What a wonderful name! – Sorri. – My name is Afonso.
Ela, de ar perturbado, vira-lhe costas. Ele, preocupado, desloca-se agilmente para a sua frente. Agarra, delicadamente, no queixo de Brigitte e, de olhos presos nos dela, pergunta:
-What? I missed something?
Ela, ainda perturbada, responde-lhe:
-Afonso! – Com um carregado sotaque francês. – Oh! I can’t say your name! But I love it.
Ele, aliviado, dá sonoras gargalhadas e responde-lhe:
-It doesn’t matter Bri!
-Bri? - Pergunta ela curiosa.
-Yes! Now you are Bri to me! – Sorri.
Abraça-a e beija a sua testa. Desce os seus perturbantes carnudos lábios até aos ouvidos de Brigitte e sussurra-lhe:
-Let me introduce you Lisbon! My city.
Agarra-lhe pelos pulsos e puxa-a na sua direcção. Com uma engenhosa manobra, toma as suas costas, envolve os braços em Brigitte e, assim, guia-a pela Rua Augusta em direcção ao arco do triunfo, a porta de Lisboa.

3 de outubro de 2010

Um Dia de Lisboa


Saturado da aula começa a vigiar o relógio que teima em não se despachar! Suspira e tenta prestar atenção à aula que se mantinha desinteressante. Finalmente ouve o esganiçado toque de saída. Sai, apressadamente, e dirige-se para a estação de metro mais próxima. Desce a longa escada com passos bruscos e rápidos e entra de imediato no metro que se encontrava já na estação (para sua sorte). Tenta procurar um único assento mas não tem sucesso, agarra-se, rigidamente, a uma das vazias pegas do metro e tenta manter o equilíbrio que era atacado pelos solavancos do transporte. Com a mão desocupada mete os enormes head phones nos ouvidos e mete o volume no máximo. Atordoado com os solavancos do metro e pela música aos altos berros, sai na estação do Rossio por engano. Sobe as escadas, sem perceber que se tinha enganado, e chega à cinzenta rua. Quando repara naquela enorme praça petrifica. Tira, lentamente, os head phones, olha para o bilhete que nada lhe diz, olha novamente para a praça e lança um trejeito. Olha para o relógio, conclui que não tem tempo para chegar a horas. Desesperado, começa a olhar para todas as direcções, como se encontrasse a solução assim. Mas, quando estava na sua exaustiva busca pela praça, os seus olhos prendem-se numa alta confusa rapariga de longos cabelos castanhos claro, de olhos de um azul penetrante, de mapa na mão e de máquina fotográfica ao volumoso peito descoberto pelo pequeno decote da gabardine mal abotoada. Ela, num movimento brusco, vira-se para a rua Augusta com um charmoso sorriso espelhado na cara. Num passo acelerado dirige-se para ela. Ele, não sabendo o que fazia, também se dirige para a longa rua. Acelera o passo para a acompanhar. Por entre a multidão ele tenta encontrá-la e quando, finalmente, entra na extensa Rua Augusta perde-a de vista. Desesperado, não sabendo bem porquê, começa à sua procura feito louco. Começa a correr como um lunático, empurrando vários lisboetas que lhe rogavam as mais variadas pragas.
Ele, do nada, tropeça numa pequena mala tiracolo e cai estatelado no chão. Atordoado e confuso não se consegue levantar de imediato. O seu cérebro só começou a ficar nítido quando ouve uma grande exclamação proferida por uma voz suave e atraente. Era ela! A estrangeira que ele vira. Com prontidão ergue-se do chão e dá-lhe a pequena mala. Ela, ainda atarantada, diz-lhe:
-Oh! I’m so sorry. I lost my purse, and you stumbled in her. Thanks, you found her!
Ele apenas lhe sorri. Estava fascinado com o arranhado, mas atraente, sotaque francês no meio daquele fanhoso inglês.
Ele aproxima-se dela e olha-a fixamente. Ela desvia o olhar, corada.
-Please… - Diz ele com uma voz pausada e sedutora.
Ela aproxima-se dele. Ele sente a leve doce respiração dela e, perdendo a cabeça, beija-a de suave nos seus finos lábios. Ela envolve os braços no seu pescoço, larga o mapa que cai no chão e deixa-se cair, suavemente, para trás para ele lhe agarrar com firmeza as suas costas. As pessoas que passavam iam observando-os e comentando. Mas a eles nada importava agora.
Ele interrompe o beijo, e, com os lábios ainda encostados aos dela, diz-lhe:
-I’ll never let you go.
-D’accord! – Diz ela no seu perfeito francês.

10 de agosto de 2010

Passadeira Cinzenta

O maldito semáforo não passava do vermelho, e os peões continuavam a esperar na outra margem para poderem atravessar o raio da passadeira branca. Estava um dia cinzento, de inverno. Ele olhava para o relógio para ver se ainda tinha tempo de chegar a horas ao destino.
Olhou, momentaneamente, para trás e espantou-se com a enchente de pessoas que também esperavam pelo verde sinal, que teimava em estar vermelho, para passar a passadeira. Olhou, uma vez mais, para trás e ficou-se a analisar todos aqueles desconhecidos. Reparou que todos eles eram diferentes, todos com a sua vida, com a sua história, com a sua personalidade. Tanta vida num só sitio! Havia o homem sério de bigode cuidado que se atropelava a falar ao grande telemóvel. De pasta preta na mão, que a segurava rigidamente, contorcendo-se com o stress. A contrastar com esta figura estava, ao seu lado, um jovem rapaz que cantarolava a música que ouvia pelos seus grandes head phones. De camisola branca com desenhos a preto e com umas calças pretas justas que só tapavam meio do seu rabo, deixando à vista os coloridos boxers que tanto chocavam as cuscas senhoras que, impiedosas, diziam mal do rapaz. Ambas de cabelos grisalhos pelos ombros, com rugas de velhice, de roupa antiquada e com um pequeno chapéu na mão, cada uma, caso fosse o diabo tece-las. Elas tagarelavam tão alto que já incomodavam a alta mulher que revirava os olhos com a idiota conversa. Era bonita! Alta, de longos cabelos castahos, de olhos verdes escurecidos pelo cinzento dia, de gabardine francesa que lhe dava pelos joelhos e de longos sapatos pretos. Por sua vez, esta mulher atraia a atenção de um tímido rapaz de cabelos castanho ondulado que a analisava cuidadosamente, mais que aos outros. Era ele.
O semáforo fica, finalmente, verde. Toda a multidão suspira e apressa-se a atravessa-la, pois atrasados já eles estão todos.


10 de junho de 2010

Calçada Alagada.


Ouve finalmente o irritante toque de saída da escola. Arruma tudo à pressa e começa a andar de passo acelerado em direcção ao ferrugento portão de saída.
Chega à rua quando é assaltado pelo vento forte que o apanha de surpresa. Olha imediatamente para o céu. Avalia cada nuvem negra que ameaça o seu percurso até à estação de metro mais próxima. Acelera o passo para chegar o quanto antes à estação. Olha para o relógio e vê que uma grossa gota atingira o seu vidro, ergue a cabeça e avalia uma vez mais o céu negro.
Começa a correr para chegar à distante estação, mas era árdua esta tarefa, tinha-se que esgueirar por entre o aglomerado de pessoas de chapéu-de-chuva já na mão.
Corria como um louco, por entre ruas, praças e pracetas da metrópole Lisboa. Pisava pés, esbarrava contra uns tantos, atirava alguns ao chão e pedia desculpa, instantaneamente, sem sequer olhar para trás.
Começa, finalmente, a chover e ele pára. Desiste. Ainda estava longe do metro, ficaria molhado de qualquer das formas…
Limita-se, agora, a andar, pisando pesarosamente a calçada. Arrastando-se por entre a multidão já agitada pela água que tentava evitar.
Por uma fracção de segundos ele desvia o olhar da calçada já alagada. Bastou esses segundos para ver a rapariga que se encontrava no outro lado da rua a combater contra o seu chapéu-de-chuva que não lhe obedecia. Ele, rapidamente, atravessa a rua para ir ajudar aquela rapariga de longos cabelos castanhos, de olhos de um verde hipnotizador e de face divina.
Agarra nas mãos da rapariga que se sobressalta pela aparição dele. Puxa com força o chapéu-de-chuva para cima da sua cabeça. Ela suspira um obrigado. Ele atreve-se a olhar para os olhos da rapariga. Ela, constrangida, quebra com a partilha de olhares e diz que tem que se ir embora.
Ele, não sabendo o que fazia, avança e beija-a suavemente nos seus lábios carnudos. Ambos largam o chapéu-de-chuva que voa para bem longe. Estavam agora encharcados, a beijarem-se no meio da calçada alagada.
Day 20 - Your favorite song at this time last year:
Gone Forever (Three Days Grace)

FIM DO 1º DESAFIO!