7 de julho de 2012
Noite Em Lisboa #2
3 de julho de 2012
Noite em Lisboa #1
27 de novembro de 2011
O canto de uma cidade, de um povo...
7 de novembro de 2011
Lisbon & Estoril Film Festival
11 de outubro de 2011
Tejo
15 de agosto de 2011
Viagem à Europa!
19 de julho de 2011
Lisboa: O Final
Um repentino trovão abate-se sobre a cidade de Paris que já estava pintada de negro pelas espessas nuvens carregadas de mau presságio.
23 de junho de 2011
Lisboa: O Retorno
6 de maio de 2011
Lisboa: A Entrega (Últimos episódios!)
31 de março de 2011
Lisboa: Reencontro

Afonso encontrara o apartamento de Brigitte logo no segundo dia da inconsciente viagem, mas ainda não tinha arranjado a coragem de lá ir…
Sai novamente na mesma estação onde ontem estivera e olha para o pequeno tosco prédio de três andares, de parede branca com umas colunas aqui e ali, com grandes janelas de aspecto frágil e com um velho telhado cinzento. Bem ao estilo parisiense…
Entra no familiar edifício e dirige-se à porta número 7. Pára, olha para o inquieto número a vermelho, suspira e, sem saber o que fazia, prega um surdo murro que agitou toda a amedrontada porta.
Afonso estremece com cada passo dado do outro lado da fina porta que ainda tremia. O compasso de espera matava-o de ansiedade. Até que finalmente a porta se abre e um alto rapaz loiro, de olhos azuis, atlético, de tronco nu e apenas de calças de pijama aparece junto dela e começa logo a analisar Afonso com um ar ensonado.
A bocejar e a coçar a cabeça com cabelos longos e desgrenhados falou:
-Qui êtes-vous?
Afonso atarantado responde:
- Hi, I can’t speak french… Sorry, but… Is there any Brigitte?
O rapaz loiro, desconfiado, grita para dentro do desarrumado apartamento:
- Brigitte! Voici un stupide anglais! – E volta para dentro do apartamento.
Ouviu-se um breve chinelar irritante e lá estava ela, tal e qual como ele a lembrava… Uma rapariga de longos cabelos castanhos claro, de olhos de um azul penetrante e com o seu característico ar francês que tanto ele adorava.
- Afonso?! – Ele esboça um sorriso quando ouve o seu nome a ser pronunciado por ela com o seu familiar arranhado sotaque francês – What the fuck?! You… Here? In Paris?
-Brigitte, I can’t, I just can’t… - Com isto Afonso agarra-a e beija-a.
O rapaz loiro volta e começa a gritar.
4 de fevereiro de 2011
Lisboa: Paris
Sozinho entrou no grande avião de aspecto débil. Sentou-se no seu tímido lugar perto de uma janela e começou a relembrar todos os seus atribulados momentos que tivera desde que conhecera Brigitte.Uma pequena e inconveniente lágrima desceu-lhe pelas vermelhas maças do rosto que se destacavam na sua pálida pele branca. Levou de imediato a mão à lágrima e chutou-a para fora da sua face.
Afonso sabia que tinha cometido uma loucura e a sua consciência martirizava-o com o facto de ter gasto 58 € num low cost rasca, de ter comprado apenas um bilhete de ida e, o pior de tudo, ir atrás de uma estrangeira qualquer que lhe deu a volta à cabeça.
A sua berrante consciência foi interrompida pela monótona voz do comandante do avião que dava conta da partida. Afonso ajeita-se na cadeira e deita um último olhar à sua Lisboa à beira do Tejo. Suspirou e fechou os cansados olhos.
Abriu os olhos algo atarantado devido ao curto atribulado sono que tivera naquelas 2 horas de viagem. Afonso termia devido aos cruéis sonhos que impiedosamente ainda vagueavam pela sua cabeça.
Afonso olhar pela pequena janela do avião e depara-se com um imenso cenário cinzento e tempestuoso. A observação foi interrompida, mais uma vez, pelo comandante que avisou o fim da viagem.
Afonso acabara de chegar a Paris…
6 de janeiro de 2011
Lisboa: A Chuva
Sobe, pesarosamente, as íngremes escadas de mármore que, com o desgaste do tempo, tinham numerosas falhas.
Pára defronte à porta do apartamento que dividia com Frederico e suspira… Estava já com medo com o que sabia que ia fazer.
Lentamente coloca a pequena fria chave na velha e enferrujada fechadura. A porta abre-se e ele precipita-se para dentro do apartamento.
Pousa a pesada mala apinhada de livros no pequeno hall e dirige-se, apressadamente, ao seu pequeno quarto. Entra, dirige-se ao roupeiro e começa a vasculhar no meio da desarrumação.
-Afonso! – Interrompe-o uma pesada voz marcada pela desilusão.
Afonso deixa escapar um pequeno grito graças ao sobressalto e vira-se maquinalmente.
-Frederico?! O que fazes aqui? – Pergunta Afonso atrapalhado.
-Desisti de assistir àquela aula intragável…- Responde.
-Assistir? Estavas a dormir – Refuta Afonso que, como viu que a conversa afinal não era séria, já tinha virado costas a Frederico para continuar a procurar o que lhe faltava.
-Ok… Na verdade só corri pelo metro todo à procura do paspalho do meu amigo com medo que se metesse em m*rda da grossa… - Atira Frederico num tom severo.
-O quê?! – Volta-se novamente Afonso algo embasbacado.
-Eu sei lá… Desde que a estúpida da francesa se foi embora nunca mais foste o mesmo – Diz Frederico num tom ameaçador.
Afonso sem saber o que dizer olha novamente para o roupeiro e finalmente vê o grande malão cinzento que procurava. O silêncio apodera-se e Afonso retira a mala do roupeiro e começa a enchê-la de roupa.
-O que pensas que estás a fazer?! – Pergunta Frederico preocupado.
- Vou a Paris, tenho um assunto pendente! – Responde friamente Afonso.
- Tu és mesmo burr… - Frederico não termina a cruel palavra quando vê a cara de agonia de Afonso. Frederico suspira e, arrependido, abraça Afonso com força.
-Por favor… - Diz Afonso a desprender-se do apertado abraço – Confia em mim, pelo menos tu…
- Eu confio… Desculpa…
Ambos se assustaram com o forte clarão que invadiu o pequeno quarto sem permissão e com o apocalíptico estrondo que lhe seguiu.
Afonso ignora a característica asneira do calão português por parte de Frederico e olha para a amedrontada velha janela que era já fustigada pela grossa chuva que caia furiosamente.
21 de novembro de 2010
Lisboa: A Dor
-Afonso! Desde que a francesa se foi embora que não paras de soluçar! Tens mesmo de a esquecer, pah!
Afonso, irritado, atira o caderno para o fundo da mochila, agarra nela e sai da entediante aula sem nada dizer a Frederico que apenas abanava a cabeça num sinal de reprovação.
Ele, já de headphones nos ouvidos, entra no habitual transporte que transbordava de pessoas.
A viagem é curta, mas realmente longa para Afonso, pois queria mesmo chegar a casa para explodir com a dor que se aglomerava desde a manhã desse dia…
Ele, por ironia do destino, engana-se uma vez mais. Uma vez mais sai na estação do Rossio. Ele sai do metro. Olha em volta e o terror aliado à dor espeta-se ferozmente no coração de Afonso que agora raramente bombeava.
Ele, atacado pela angústia, cai desamparado no chão. Deixa a dor devorar cada milímetro do seu corpo. Começa a chorar e, quando um desafinado grito de dor ameaça se expressar, leva as trémulas mãos à boca para o calar.
Revoltado Afonso levanta-se e grita sem voz: Isto não fica assim! Eu prometi-te que não te deixaria ir!
9 de novembro de 2010
Lisboa: A Despedida

Volta para os braços de Afonso e mostra-lhe a foto do momento do suave beijo.
Assim passam todo o frio mês de Novembro. Afonso escapulia-se das aulas sempre que podia para ir ter com a sua Brigitte. Encontravam-se em todo o lado. Em Belém, na Expo, nos Restauradores, em Benfica, no Rossio, em todo o lado. Mas, no fim de Novembro, Brigitte, de semblante misterioso, envolve-se nos braços de Afonso. Olha-o nos olhos e diz:
-Take it! – Ela, a tremer, entrega-lhe a modesta magnífica foto que saiu da Polaroid no dia em que se conheceram.
-In the future, if you need me you will look to the picture. You...
-Bri! Why are you so serious? – Pergunta ele já desconcertado.
-Afonso. Tomorrow I’ll be in a flight, to Paris. I must go…
-What?! Tomorrow?! But…
-Shh… - Silencia-o ela com a ajuda do dedo indicador que, delicadamente, escorrega pelos lábios dele.
Depois de se desprender Afonso continua:
-I promised that I wouldn’t let you go!
-I must go! My life is not here. And your life is not in France, because I’m not a part of your life Afonso. – Responde-lhe Brigitte que por momentos deixa escapar uma lágrima.
-Are you insane? – Grita-lhe Afonso. Ela retrai-se, amedrontada. Ele, arrependido, abandona a fúria que lhe transfigurava a cara e, suavemente, diz:
-Please! Bri… I just can’t.
-Afonso, you always knew that I was in Portugal only to visit, not to live! And I hate goodbyes so, it’s only a see you later…
-But do me one last favor: Kiss me…
Afonso, de lágrimas a brotarem-lhe dos olhos, envolve os braços nela e beija-a como nunca antes o fizera. Os lábios de Afonso encontravam-se com os lábios de Brigitte numa fatal sincronizada dança feroz. Era o último beijo...
1 de novembro de 2010
Lisboa: O Momento.

Ele, de braços pregados na cintura de Brigitte, sussurra-lhe ao ouvido:
-Bri, I present you Praça do Comércio.
Ela, maravilhada, espanta-se com a dimensão da praça. Percorre cada milímetro com os seus apressados olhos azuis que tudo queriam analisar, por fim, com um suspiro, prega os olhos no sedutor rio que se estende logo depois da imponente praça.
-Oh mon Dieu! – Escapa-lhe pelos finos lábios que ainda estavam deformados pelo espanto.
Ela, ansiosa, puxa-o pelo braço e começa a correr pela extensa passadeira que liga o Arco da Rua Augusta à Praça.
-Come on! I want to see the square! – Grita Brigitte.
Ele, a sorrir, deixa-se levar pelo fino braço que o puxava. Ela percorre toda a praça ainda a agarrá-lo, arrasta-o até ao final da calçada e, aí, diz-lhe:
-I want a Picture here! With the river behind!
-Ok, I’ll take it. – Responde Afonso.
-No! I want a picture with you. Larga o braço do rapaz, dirige-se a um lisboeta que por lá passava e aborda-o para lhes tirar uma foto. De bom grado o simpático lisboeta aceita.
Ela, agitada, corre de volta para Afonso e abraça-o. Ele, respondendo ao abraço, recolhe-a nos seus braços e beija-a. Nesse preciso momento o lisboeta, de sorriso na cara, tira a foto.
15 de outubro de 2010
Lisboa: O Começo.

Ele envolve-a com os seus braços e aperta-a contra o seu musculado peito. Ficam, assim, abraçados durante longos preciosos minutos.
Ela, de olhar desafiador, recua e desprende-se dos fortes braços do rapaz lisboeta que acabara de lançar um trejeito de confusão.
Ele abre a boca para lhe perguntar o que acontecera, mas antes da voz se soltar os carnudos lábios foram selados pelo esguio dedo indicador da francesa.
-Shhh- Ordenou ela num sussuro. – My name is Brigitte.- e esboça também ela um sorriso. Um simples, mas sentido sorriso.
Ele, ainda atarantado, responde a gaguejar:
-Oh! What a wonderful name! – Sorri. – My name is Afonso.
Ela, de ar perturbado, vira-lhe costas. Ele, preocupado, desloca-se agilmente para a sua frente. Agarra, delicadamente, no queixo de Brigitte e, de olhos presos nos dela, pergunta:
-What? I missed something?
Ela, ainda perturbada, responde-lhe:
-Afonso! – Com um carregado sotaque francês. – Oh! I can’t say your name! But I love it.
Ele, aliviado, dá sonoras gargalhadas e responde-lhe:
-It doesn’t matter Bri!
-Bri? - Pergunta ela curiosa.
-Yes! Now you are Bri to me! – Sorri.
Abraça-a e beija a sua testa. Desce os seus perturbantes carnudos lábios até aos ouvidos de Brigitte e sussurra-lhe:
-Let me introduce you Lisbon! My city.
Agarra-lhe pelos pulsos e puxa-a na sua direcção. Com uma engenhosa manobra, toma as suas costas, envolve os braços em Brigitte e, assim, guia-a pela Rua Augusta em direcção ao arco do triunfo, a porta de Lisboa.
3 de outubro de 2010
Um Dia de Lisboa

Saturado da aula começa a vigiar o relógio que teima em não se despachar! Suspira e tenta prestar atenção à aula que se mantinha desinteressante. Finalmente ouve o esganiçado toque de saída. Sai, apressadamente, e dirige-se para a estação de metro mais próxima. Desce a longa escada com passos bruscos e rápidos e entra de imediato no metro que se encontrava já na estação (para sua sorte). Tenta procurar um único assento mas não tem sucesso, agarra-se, rigidamente, a uma das vazias pegas do metro e tenta manter o equilíbrio que era atacado pelos solavancos do transporte. Com a mão desocupada mete os enormes head phones nos ouvidos e mete o volume no máximo. Atordoado com os solavancos do metro e pela música aos altos berros, sai na estação do Rossio por engano. Sobe as escadas, sem perceber que se tinha enganado, e chega à cinzenta rua. Quando repara naquela enorme praça petrifica. Tira, lentamente, os head phones, olha para o bilhete que nada lhe diz, olha novamente para a praça e lança um trejeito. Olha para o relógio, conclui que não tem tempo para chegar a horas. Desesperado, começa a olhar para todas as direcções, como se encontrasse a solução assim. Mas, quando estava na sua exaustiva busca pela praça, os seus olhos prendem-se numa alta confusa rapariga de longos cabelos castanhos claro, de olhos de um azul penetrante, de mapa na mão e de máquina fotográfica ao volumoso peito descoberto pelo pequeno decote da gabardine mal abotoada. Ela, num movimento brusco, vira-se para a rua Augusta com um charmoso sorriso espelhado na cara. Num passo acelerado dirige-se para ela. Ele, não sabendo o que fazia, também se dirige para a longa rua. Acelera o passo para a acompanhar. Por entre a multidão ele tenta encontrá-la e quando, finalmente, entra na extensa Rua Augusta perde-a de vista. Desesperado, não sabendo bem porquê, começa à sua procura feito louco. Começa a correr como um lunático, empurrando vários lisboetas que lhe rogavam as mais variadas pragas.
Ele, do nada, tropeça numa pequena mala tiracolo e cai estatelado no chão. Atordoado e confuso não se consegue levantar de imediato. O seu cérebro só começou a ficar nítido quando ouve uma grande exclamação proferida por uma voz suave e atraente. Era ela! A estrangeira que ele vira. Com prontidão ergue-se do chão e dá-lhe a pequena mala. Ela, ainda atarantada, diz-lhe:
-Oh! I’m so sorry. I lost my purse, and you stumbled in her. Thanks, you found her!
Ele apenas lhe sorri. Estava fascinado com o arranhado, mas atraente, sotaque francês no meio daquele fanhoso inglês.
Ele aproxima-se dela e olha-a fixamente. Ela desvia o olhar, corada.
-Please… - Diz ele com uma voz pausada e sedutora.
Ela aproxima-se dele. Ele sente a leve doce respiração dela e, perdendo a cabeça, beija-a de suave nos seus finos lábios. Ela envolve os braços no seu pescoço, larga o mapa que cai no chão e deixa-se cair, suavemente, para trás para ele lhe agarrar com firmeza as suas costas. As pessoas que passavam iam observando-os e comentando. Mas a eles nada importava agora.
Ele interrompe o beijo, e, com os lábios ainda encostados aos dela, diz-lhe:
-I’ll never let you go.
-D’accord! – Diz ela no seu perfeito francês.
10 de agosto de 2010
Passadeira Cinzenta
O maldito semáforo não passava do vermelho, e os peões continuavam a esperar na outra margem para poderem atravessar o raio da passadeira branca. Estava um dia cinzento, de inverno. Ele olhava para o relógio para ver se ainda tinha tempo de chegar a horas ao destino.Olhou, momentaneamente, para trás e espantou-se com a enchente de pessoas que também esperavam pelo verde sinal, que teimava em estar vermelho, para passar a passadeira. Olhou, uma vez mais, para trás e ficou-se a analisar todos aqueles desconhecidos. Reparou que todos eles eram diferentes, todos com a sua vida, com a sua história, com a sua personalidade. Tanta vida num só sitio! Havia o homem sério de bigode cuidado que se atropelava a falar ao grande telemóvel. De pasta preta na mão, que a segurava rigidamente, contorcendo-se com o stress. A contrastar com esta figura estava, ao seu lado, um jovem rapaz que cantarolava a música que ouvia pelos seus grandes head phones. De camisola branca com desenhos a preto e com umas calças pretas justas que só tapavam meio do seu rabo, deixando à vista os coloridos boxers que tanto chocavam as cuscas senhoras que, impiedosas, diziam mal do rapaz. Ambas de cabelos grisalhos pelos ombros, com rugas de velhice, de roupa antiquada e com um pequeno chapéu na mão, cada uma, caso fosse o diabo tece-las. Elas tagarelavam tão alto que já incomodavam a alta mulher que revirava os olhos com a idiota conversa. Era bonita! Alta, de longos cabelos castahos, de olhos verdes escurecidos pelo cinzento dia, de gabardine francesa que lhe dava pelos joelhos e de longos sapatos pretos. Por sua vez, esta mulher atraia a atenção de um tímido rapaz de cabelos castanho ondulado que a analisava cuidadosamente, mais que aos outros. Era ele.
O semáforo fica, finalmente, verde. Toda a multidão suspira e apressa-se a atravessa-la, pois atrasados já eles estão todos.
10 de junho de 2010
Calçada Alagada.

Chega à rua quando é assaltado pelo vento forte que o apanha de surpresa. Olha imediatamente para o céu. Avalia cada nuvem negra que ameaça o seu percurso até à estação de metro mais próxima. Acelera o passo para chegar o quanto antes à estação. Olha para o relógio e vê que uma grossa gota atingira o seu vidro, ergue a cabeça e avalia uma vez mais o céu negro.
Começa a correr para chegar à distante estação, mas era árdua esta tarefa, tinha-se que esgueirar por entre o aglomerado de pessoas de chapéu-de-chuva já na mão.
Corria como um louco, por entre ruas, praças e pracetas da metrópole Lisboa. Pisava pés, esbarrava contra uns tantos, atirava alguns ao chão e pedia desculpa, instantaneamente, sem sequer olhar para trás.
Começa, finalmente, a chover e ele pára. Desiste. Ainda estava longe do metro, ficaria molhado de qualquer das formas…
Limita-se, agora, a andar, pisando pesarosamente a calçada. Arrastando-se por entre a multidão já agitada pela água que tentava evitar.
Por uma fracção de segundos ele desvia o olhar da calçada já alagada. Bastou esses segundos para ver a rapariga que se encontrava no outro lado da rua a combater contra o seu chapéu-de-chuva que não lhe obedecia. Ele, rapidamente, atravessa a rua para ir ajudar aquela rapariga de longos cabelos castanhos, de olhos de um verde hipnotizador e de face divina.
Agarra nas mãos da rapariga que se sobressalta pela aparição dele. Puxa com força o chapéu-de-chuva para cima da sua cabeça. Ela suspira um obrigado. Ele atreve-se a olhar para os olhos da rapariga. Ela, constrangida, quebra com a partilha de olhares e diz que tem que se ir embora.
Ele, não sabendo o que fazia, avança e beija-a suavemente nos seus lábios carnudos. Ambos largam o chapéu-de-chuva que voa para bem longe. Estavam agora encharcados, a beijarem-se no meio da calçada alagada.
FIM DO 1º DESAFIO!















