O frio vento de Janeiro embateu no grupo de amigos que estavam, todos eles, sentados num rígido passei de tijoleira avermelhada e encostados às paredes que rodeavam todo aquele beco, que tantas vezes os acolhia, apertado mas acolhedor.
O disfuncional, mas unido, grupo ia, pachorrentamente, falando das peripécias da aborrecida escola. Estavam todos alinhados no já conhecido passeio do familiar beco.
Perto da entrada do tímido beco encontrava-se um acanhado rapaz de cabelos castanhos que pouco se notavam pois o gorro preto cobria-lhe a cabeça onde dois grandes olhos castanhos estavam pregados na rapariga de cabelos loiros do lado, a qual segurava nas suas mãos que se debatiam para levar o cigarro à boca.
A sorridente rapariga de cabelos loiros por vezes parava o contacto visual com o rapaz que apertava as suas mãos para olhar para o rapaz loiro que se encontrava do seu outro lado. Esse rapaz de olhos azuis, por sua vez, agarrava em pequenas pedras geladas e atirava-as para os sacos de lixo em frente quando nada tinha que fazer, visto não poder falar com o seu amigo de cabelos pretos que se encontrava a seu lado pois ele estava ocupado a beijar a sua namorada de longos cabelos castanhos e ondulados que esvoaçavam com a brisa fresca. Por fim, encostada ao fim do beco, estava uma rapariga de cabelo castanho claro e olhos verdes absorta a olhar para o céu cinzento enquanto levava à boca a fria cerveja e o apático cigarro.
Assim passava o frio vento Londrino pela vida de seis adolescentes.
