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11 de fevereiro de 2011

Rabiscos Mentirosos


Ela, eufórica, sorri quando o vê – de barba rala, de verdes olhos confusos e brilhantes, de farda verde-escura gasta, de feridas profundas na cara e nos braços sujos – a desembarcar do grande navio que trazia os tristonhos ansiosos retornados da avassaladora guerra.
Ela, sem saber o que fazia, corre na direcção dele e abraça-o com todas as suas forças. A angústia de meses explode num soluço e rapidamente desaparece, dando lugar à alegria de o ver. Aperta-o contra o seu volumoso peito e sente o seu amedrontado coração a bombear rapidamente o sangue por todo aquele corpo lesado.
Ela, a chorar, agarra na cara dele e, de olhos pregados nele diz:
-Philip, come back. Come back to me… - e soluça novamente…
O vazio volta e uma pesada lágrima cai nos rabiscos escritos por ela. Os rabiscos que na verdade não passam senão de uma falhada forma de tornar o desejo em realidade. O desejo de o ver, de o sentir, de o amar…
Mas a cruel verdade da morte prematura e longínqua de Philip esmaga, todos os dias, o tosco coração dela, espeta-se-lhe na carne os aguçados punhais que não a deixam viver a mentira que os rabiscos lhe tentam contar. A mentira de o ter para si…

24 de outubro de 2010

Despedida no Cais


Ela, de olhos pregados no chão, deixa cair uma pesada lágrima. Ele, a tremer, agarra no seu queixo e levanta-lhe o triste semblante. Os seus verdes olhos encontram os azuis olhos dela. Ambos se olham, ele contemplava toda a perfeição dela. Ela apenas retribuía com um profundo olhar de mágoa. Ambos se olham por longos minutos e nada dizem. Ele avança, encosta os lábios nos delicados ouvidos dela e sussurra:
-Tenho de ir…
Suspira no seu ouvido, desce os lábios pela sua face e, encontrados os finos lábios dela, beija-a fugazmente, como se do último beijo se tratasse.
Ele suspira uma vez mais, desprende-se dela e vira-lhe costas.
Ela, instintivamente, puxa-o pelo rígido braço que já segurava no pesado malão verde com o símbolo da tropa inglesa. Segura a cara dele com as duas trémulas mãos e, desesperadamente, diz:
-Volta! Volta para mim!
Um grave soluço interrompe-a, ela larga a cara dele e envolve os seus finos braços à cintura dele.
Ele, horrorizado, beija-a ao de leve na sua testa e envolve, também, os seus braços nela.
Um grave som interrompe-os e ele, de olhos pregados nela, grita-lhe:
-Amo-te!
Ela, desamparada, cai no molhado chão. O desespero e o medo trespassam-lhe a alma e ela, agarrada ao peito, grita desesperada. Um grave soluço interrompe o agoniante grito e ela desfaz-se em lágrimas que, cruelmente, caiem no doloroso chão frio.

26 de agosto de 2010

Tempestade Sem Fim


A chuva batia, violentamente, na intimidada janela. O vento fustigava o pobre telhado que rangia em uníssono. A trovoada eclodia, sonoramente, por toda a pequena casa. A natureza estava em guerra com aquela insignificante casa. Ele também se encontrava na guerra, uma guerra psicológica. Ele, de súbito, acorda ofegante. O suor escorria-lhe pela face desfigurada pelo medo. As lágrimas brotavam dos seus olhos cansados e as mãos, trémulas e débeis, procuravam, incessantemente, o interruptor do pequeno candeeiro da mesa-de-cabeceira.
Respirou fundo e murmurou para si:
-Está tudo bem! Ela está aqui… Tu não estás lá.
Assustou-se, momentaneamente, com um berrante trovão. Suspirou e voltou, lentamente, a deitar-se. Apagou a luz e fechou, novamente, os olhos.
O medo trespassou-lhe a alma. A respiração revoltou-se e o coração bombeou o sangue descompassadamente. Os tiros e as bombas berraram uma vez mais nos seus ouvidos, as lamúrias praguejavam novamente, os gritos enfureceram-se de novo e os olhos voltaram a chorar. Ele grita, já desesperado. Ela, assustada, acorda. Liga o candeeiro e olha para ele, já desfigurado. Ela puxa-o contra o seu volumoso peito. Encosta os seus carnudos lábios à sua orelha e sussurra-lhe:
-Estou aqui… Eu estou aqui.

5 de agosto de 2010

Come Back!

"Come back".
"Come back to me".



Fecha os olhos, respira fundo.
Esquece tudo e por um segundo,
recorda-te da minha exasperante espera
que me aterroriza nem uma quimera!


Por favor, por favor volta,
antes que o destino expluda em revolta.

3 de agosto de 2010

Distúrbios de Guerra

Ele, pesarosamente, andava. Andava pelo meio de corpos desfigurados, sangue derramado, gritos agonizantes, andava pelo meio de uma cruel guerra. E a cada passo que dava sentia-se mais só, mais longe, mais desesperado. Ele apenas queria voltar atrás, para regressar para os braços dela que tanto o esperavam, lá, na longínqua cidade de Londres.
Mas não podia, não! Tinha que defrontar uma guerra que nem era sua, uma maldita guerra terrível e nojenta. Essa mesma guerra que arrancara o seu sonho de voltar e o mutilara para o tentar matar, mas não conseguiu! Claro que não! Pois ele ainda acreditava que um dia voltaria para os braços dela. Pois se não acreditasse nisso em nada mais poderia acreditar…
Ele não sabendo o que fazia, deixou-se cair, estafado. Fecha os olhos e sussurra o nome dela.
Não mais voltou a abrir os verdes olhos que a desejavam ver. Mas ela, ela ainda contínua à espera, na longínqua cidade de Londres.
Ps: Isto é um tributo ao melhor filme/livro de sempre: Expiação.

2 de julho de 2010

A Carta sem resposta


Ela não queria deixa-lo ir. De certa forma ela sabia. Sabia que era a última vez que o ia ver.
Abraçou-o com toda a sua frágil força. Soltou o maior dos seus suspiros, enterrou a cara no peito dele e fechou os olhos.
Senti-o a afastar-se. A afastar-se dela. A partir.
Ouviu, por fim, o arrepiante toque de partida. Virou costas e encaminhou-se para sítio nenhum…
Tinha passado meses. Meses de ausência sufocante, de saudade descontrolada, de dor. Ela sabia que ele ainda estava vivo. Ele respondia às cartas, mas mais que isso, ela sentia-o vivo. Trocavam entre si amargas cartas de saudade, cartas desesperadas por um futuro melhor. Foi assim o rodopio dos últimos meses.
Ela parou de o sentir. Caminhou para a porta, abriu-a e deixou que a suave brisa quente da manhã de verão lhe tocasse gentilmente. Dirigiu-se à grande falésia ao largo da sua casa. Deixou o horror e a dor trespassarem-lhe a alma, novamente. Deu um passo em frente. Já conseguia ouvir o barulho das ondas a fustigarem as rochas lá em baixo. Ela sentia que o tinha de fazer. Para ir ter com ele…
Deu outro passo em frente e fechou os olhos…

25 de maio de 2010

Poeira Inglesa.

Acordou sobressaltada por uma explosão. Abriu os olhos e tentou focar algo, mas não conseguiu. A sua visão era atacada pela imensa estranha poeira. Decidiu estender os braços para encontrar apoio em algo, mas não conseguiu. Respirou fundo e deu um primeiro passo rumo ao terrorífico desconhecido. Sobreviveu! Congratulou-se ela.
Continuou com os tímidos passos em direcção ao nada. Tropeçou em pedras, que outrora faziam parte de belos edifícios londrinos. Bateu contra vários muros inconvenientes, que a turva visão não viu. Sentiu uma dor aguda a trespassar-lhe o pé, proveniente de um maldito vidro que se tinha lá espetado. Agora é que reparou que não tinha as suas sapatilhas brancas…
Gritou, não por dor, mas por desespero. Não queria mais estar naquele assombroso lugar.
Gritou, com toda a sua força, apenas gritou. Mas ninguém lhe respondia…
Caiu, deixou o medo apoderar o seu corpo e desfez-se em lágrimas.
Viu um clarão que lhe cortou a respiração e de seguida ouviu um mortífero estrondo.




PS:Day 17 - A song that you want to play at your wedding:
Viva La Vida (ColdPlay)

24 de maio de 2010

Atonement



Robbie Turner: [about the letter he sent her] It was a mistake.
Cecilia Tallis: Briony read it.
Robbie Turner: I'm so sorry, it was the wrong version.
Cecilia Tallis: Yes.
Robbie Turner: It was never meant to be read.
Cecilia Tallis: No.
Cecilia Tallis: What was in the version I was meant to read?
Robbie Turner: Don't know... it was more formal, and less...
Cecilia Tallis: Anatomical?
Robbie Turner: Yes.
Melhor filme de sempre! Para ficarem a perceber aqui está o conteúdo da tal carta do diálogo:

"In my dreams I kiss your cunt, your sweet wet cunt".
Google tradutor se não perceberem xP


Day 16 - A song that you listen to when you’re sad:
Your Call (Secondhand Serenade)


26 de março de 2010

Jogo de Xadrez.



Ali estava eu, no meio de quinze familiares frágeis criaturas.
Todas elas me protegiam. Me protegiam de ti…
Tu que estavas no lado oposto do longo tabuleiro de pedra esculpido. Lutavas sozinha, apenas tu, contra toda a minha extensa mas impotente armada.
Tu não tinhas medo delas, mesmo sendo todas elas feias e assustadoras. Todas elas eram horrendas e aparentemente fortes, todas munidas de longas armas mortíferas que de nada lhes serviam.
Tu, impiedosamente, avançavas e eu recuava já desesperado.
Dás longas e cortantes passadas sobre o amedrontado chão em xadrez preto e branco. Dançavas em movimentos sincronizados e de divina perfeição, mas ias matando, destroçando, despedaçando ao mesmo tempo. Ias destruindo as minhas defesas que caiam em decisivos estrondos agoniantes.
Tudo se destruía e tu cruelmente continuavas…
Continuavas em direcção ao aterrorizado rei, que infelizmente, era eu.
Paras à minha frente e olhas para trás para veres uma vez mais todas as minhas inúteis defesas destruídas.
Fazes checkmate, olhas para mim, e eu, como tudo o resto, tombo diante de ti.
Tu e apenas tu, com um simples olhar, dilaceras-me qualquer defesa…