15 de março de 2010

Destroços de Guerra.


-Promete-me, promete-me que voltas…
-Eu prometo.
Cai-lhe uma pesarosa lágrima pelo olho, suspira e enfrenta-o novamente.
-Ficarei à tua espera – diz ela com a voz marcada de angústia e desespero.
Ele beija-a uma última vez e vira-lhe costas, pega no pesado malão verde e sobe as escadas belurentas. Os passos eram dolorosos e lentos, a cada passo o medo crescia-lhe. Deixou as lágrimas inundarem-lhe a repentina pequena face para aquele oceano que de seus olhos transbordava.
Não sabia. Não sabia para onde ia, se regressava, o que esperava, o que veria, mas sabia que o tinha de fazer!
Ele olha uma vez mais para ela, tentando focar toda a perfeição do seu rosto, todos as suas rugas de expressão, todos os seus ínfimos cabelos, tentou decorá-la, para nunca se esquecer de tal rosto. Pede-lhe desculpa com o olhar, e ela retribui-lhe com um ligeiro acena de cabeça negativo e com um doloroso olhar de mágoa.
O contacto visual entre os dois foi interrompido pelo súbito toque de partida do maldito navio.
O medo trespassa-lhe a alma e ele olha uma vez mais para ela e grita:
-Eu prometo que volto!
Mas ele não voltou…
Barco após barco, atracavam na cidade depois da trágica guerra, entregando os escassos sobreviventes a famílias e os pêsames a outras.
Ele agora jaz algures, algures longe dela. Enquanto ela espera…

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