Do outro lado deste ínfimo mundo nasces. Cedo começas a contaminar este incapaz planeta. Cresces e optimizas as tuas armas mortíferas de contaminação sedutora. Os cabelos ondulantes, os olhos fatais, a boca carnuda, os seios volumosos, as ancas delineadas, as esguias pernas. Potencias a tentação ao máximo e, quando ela se torna suficientemente contagiosa e fatal, avanças em direcção a mim, do outro lado do globo.
Vais passando por montes, vales, desbravando matos, corações. Contaminas todos sem excepção, como uma barata prostituta mas de elegante e feroz porte. Finalmente chegas a terras de minha pátria. Olhas para tos os lados e, com um sorriso provocador e macabro, despes-te de sentimentos e, cruelmente, contagias cada pedaço deste meu reino afectado.
Lanças uma forte gargalhada e prendes o olhar em mim. Esboças um trejeito de glória e, sem piedade, agarras em mim com as tuas garras afiadas. Rasgas-me em metade, mordes-me o corpo, esfaqueias-me o tronco, retraças-me a carne num contagiante e incessante prazer. Era a tua contaminação porca e suja, mas viciante e perfeita.