15 de novembro de 2011

Tempestade


Apenas adoro…
Adoro desligar-me um pouco deste mundo, desta sociedade informatizada e ouvir, ver, sentir a tempestade que assombra a minha pequena cidade agora pintada a tons neutros ameaçadores.
Esquecer por momentos o rodopio em que vivo, nas intrigas em que me meto, na merda toda que me rodeia e apenas sentir…. Sentir as grossas gotas da chuva na minha cara, inspirar o cheiro delas a molhar a fresca terra, ouvir os trovões e, ao mesmo tempo, ver os seus clarões de luz fascinantes, mas na mesma medida perigosos…
E é aqui, nestes momentos de total abstracção, que me encontro. Vejo-me e sinto-me. Sinto-me perto, mas longe, pois sei que este momento não durará para sempre e que mal acenda as luzes da realidade esse meu eu desaparecerá, esfumar-se-á por entre a tempestade…

12 de novembro de 2011

The One That Got Away


Ela senta-se num frio banco de pedra à janela. Olha para toda a extensão de terra projectada no fresco vidro e admira-a por um pouco. Fechas os olhos e recorda…
Ele pega nas pequenas mãos dela e puxa-as em direcção ao desconhecido. Ela, de respiração irregular, tenta não tropeçar em nada que lhe pusesse em cause o equilíbrio já limitado pelo facto de ter uma venda preta nos olhos.
Ele larga-lhe as mãos e ela pára de imediato. Espera uma fracção de segundos e, quando a respiração dele embate no delicado pescoço dela, o seu coração começa a bombear descompassadamente o sangue para as suas ansiosas veias que fizeram com que um súbito arrepio a trespassa-se por todo o corpo.
Ele, suavemente, retira-lhe a venda e ela prega os seus olhos numa tela branca preenchida com o seu retrato em cores neutras. Deixa escapar uma sentida lágrima e beija-o de seguida…
Ela volta à pesada realidade quando um gritante trovão embate na ilusão da paisagem criada e naquela que se via através da janela. Olha para as grossas gotas de chuva a embater no vidro e, mais uma vez, mentaliza-se que ele não voltará… nunca.

11 de novembro de 2011

11/11/11


Não costumo ligar muito ao que Katy Perry faz ou deixa de fazer. Mas este video está... Genial!

Vivam a vida, que ela é curta como a merda!

7 de novembro de 2011

Lisbon & Estoril Film Festival

Ontem fui a um festival que já me atraía há bastante tempo! O Lisbon & Estoril Film Festival ocupou-me todo o santo domingo num dia em cheio! 

Ides Of March
Ás 17:00 horas, quase em ponto, começa Ides Of March, ou para muitos, o "filme de Cloney". Gostei bastante e, mesmo não estando muito por dentro da política Norte Americana, foi me fácil perceber um pouco como tudo funciona pois o filme é bastante explicito (depois de ver um Árvore da Vida tudo para mim é-me explicito agora!). Cloney fez um bom trabalho na realização mas, na minha opinião, quem se destaca muito neste filme é Ryan Gosling que desde de Blue Valentine tem apresentado performances fantásticas! E aqui está mais uma delas...
É apenas de referir alguns momentos (não vou spoilar quais) em que certas reviravoltas na história foram um pouco forçadas e precipitadas...
16/20

A Dangerous Method
Pelas 22:00 horas lá estava eu novamente no Monumental para assistir ao muito ansiado A Dangerous Method. Fomos saudados pela presença do realizador David Cronenberg que em poucas palavras nos desejou um bom serão. E que bom serão que tivemos! A Dangerous Method superou as expectativas e revelou-se num filme muito bom. Há já uns tempos que fazia falta um filme que tivesse como premissa a história de psicanalistas importantes como Freud, Jung e Spielrein. E Cronenberg conseguiu fazer com eles um filme realmente fantástico! Keira Knightley, na minha opinião, teve o papel da sua carreira (até agora) nesta doente Spielrein, a sua prestação foi assombrosa! Um filme que muito recomendo a todos. E espero bem que seja um dos nomeados para os Oscars de 2012.
17.5/20

3 de novembro de 2011

Chuva



Ele senta-se na sua tosca secretária de madeira. Olha para a janela a seu lado e analisa as grossas gotas de água que embatem contra ela. Alcança o frio vidro com uma das mãos para sentir a frescura da chuva de inverno.
Recolhe a mão e puxa da algibeira um cansado cigarro, leva-o à trémula boca e acende-o pachorrentamente. No entretanto, puxa de um pequeno caderno já rabiscado e numa caneta azul esquecida. E, ao som inesperado do trovão grotesco, começa-lhe a escrever uma carta. Uma carta que não sairia daquela sala, uma carta a que ela não teria acesso, pois o bombear do coração dele não lhe é conhecido, nem tão pouco desejado.
Ele, ao acabar de escrever, deixa escapar uma pesada lágrima dos seus aflitos olhos que cai na cruel folha de papel cheia de símbolos de infortúnios, dor e mágoa.
Ele olha uma vez mais para a janela fustigada e, ao levar o cigarro á boca, fecha os olhos e deixa-se embalar pelo revoltado vento forte, pelos súbitos trovões ameaçadores e pela incessante chuva que caía tão vertiginosamente no chão alagado quanto as inúteis esperanças do pobre rapaz.

31 de outubro de 2011

Golpe

Aviso: Esta história é pura ficção e serve de comemoração de Halloween.


A desesperada rapariga corre por todo o lado, mas ele consegue sempre encurralá-la na sua armadilha mortífera.
Ela alcança, finalmente, a porta das traseiras e tenta rodar a maçaneta fria que não consegue abrir a estúpida barreira de madeira. Esmurra um pouco a porta mas desiste vendo que não lhe serve de nada. Vira-se, rapidamente, e dá de caras com ele, o assassino estava mesmo à sua frente, de faca em riste! Ela, apavorada, descarrega todas as suas forças num horrível grito de agonia que põe à prova os seus aflitos pulmões e lhe arranha a rouca garganta.
Ele, a sorrir, levanta a faca e diz:
-Who is this?
Ela, a soluçar, responde:
-És louco! Para! Isto não é nenhum filme, chega…
Ele ri-se da patética figura dela e diz:
-But… I want to play a game.
-Chega! Seu lunático, deixa-me! – Grita ela uma vez mais, desesperada.
Ele ri-se de novo e, cruelmente, trespassa a frágil rapariga com a afiada faca. Ela sente a fria faca a entrar-lhe pelo corpo e leva, de imediato, as suas mãos ao seu ventre, onde fora feito o golpe, para tentar estancar a ferida de onde já brotava o escuro sangue.
Ele, ainda de sorriso afectado nos lábios, diz:
- The game is fucking over!
Dá um fatal golpe no peito da rapariga e suspira de prazer quando sente o seu sangue embater na sua face desfigurada.

28 de outubro de 2011

Deixa-me! Apenas quero sair deste hospício mental em que me internaste! Deixa-me!
Deixa-me ir embora e virar-te as costas de uma vez por todas!

Fuck Off!

24 de outubro de 2011

Math Teacher


-"Isto parece tudo muito fácil mas depois é sempre complicado"
-"Pois... Isto é como tudo na vida"

seriously? The fuck?!