Cedo ele acordou. Olhou, ainda ensonado, o relógio e suspirou. Era o derradeiro dia…Rapidamente se despachou e despediu-se do seu tímido apartamento mesmo na solarenga baixa da melancólica cidade de Lisboa.
Saiu de malas na mão e dirigiu-se para a estação de metro mais próxima. Hesitante, parou em frente à incessante estação que teimava em não sossegar. O medo e o receio trespassaram-lhe a alma mas, depois de um longo bocejo, lá avançou para o novo começo.
O metro, rapidamente, levou-o para a estação de comboios que também se encontrava apinhada de pessoas loucas que nem sabiam para onde se virar. Arrastou as suas pesadas malas pela estação fora, tentando desviar as pessoas que insistiam em não o deixar passar. Quando se aproxima do comboio já lotado chocou com uma rapariga de longos cabelos castanhos, de olhos de avelã. Ele petrificou por uma fracção de segundos. Voltou ao normal e, prontamente, ajuda aquela rapariga que praguejava contra o súbito desconhecido, mas quando reparou nele apenas sorriu, acanhadamente, e ele devolveu-lhe o sorriso. Fitaram-se, fascinados, por longos minutos. Aproximaram-se e, suavemente, tocaram nos lábios um do outro. Ambos ficaram dispersos do que os rodeava e nada mais queriam saber. Apenas se beijavam. O beijo foi interrompido pelo súbito ruído do comboio a partir. Eles, ainda atordoados, gritaram em uníssono. Ambos perderam o comboio.




