
Ali estava eu, no meio de quinze familiares frágeis criaturas.
Todas elas me protegiam. Me protegiam de ti…
Tu que estavas no lado oposto do longo tabuleiro de pedra esculpido. Lutavas sozinha, apenas tu, contra toda a minha extensa mas impotente armada.
Tu não tinhas medo delas, mesmo sendo todas elas feias e assustadoras. Todas elas eram horrendas e aparentemente fortes, todas munidas de longas armas mortíferas que de nada lhes serviam.
Tu, impiedosamente, avançavas e eu recuava já desesperado.
Dás longas e cortantes passadas sobre o amedrontado chão em xadrez preto e branco. Dançavas em movimentos sincronizados e de divina perfeição, mas ias matando, destroçando, despedaçando ao mesmo tempo. Ias destruindo as minhas defesas que caiam em decisivos estrondos agoniantes.
Tudo se destruía e tu cruelmente continuavas…
Continuavas em direcção ao aterrorizado rei, que infelizmente, era eu.
Paras à minha frente e olhas para trás para veres uma vez mais todas as minhas inúteis defesas destruídas.
Fazes checkmate, olhas para mim, e eu, como tudo o resto, tombo diante de ti.
Tu e apenas tu, com um simples olhar, dilaceras-me qualquer defesa…