14 de setembro de 2011
Hipérbole não exagerada
19 de julho de 2011
Lisboa: O Final
Um repentino trovão abate-se sobre a cidade de Paris que já estava pintada de negro pelas espessas nuvens carregadas de mau presságio.
27 de junho de 2011
Last Friday Night
24 de junho de 2011
Traição
23 de junho de 2011
Lisboa: O Retorno
10 de junho de 2011
Estranhos
6 de maio de 2011
Lisboa: A Entrega (Últimos episódios!)
31 de março de 2011
Lisboa: Reencontro

Afonso encontrara o apartamento de Brigitte logo no segundo dia da inconsciente viagem, mas ainda não tinha arranjado a coragem de lá ir…
Sai novamente na mesma estação onde ontem estivera e olha para o pequeno tosco prédio de três andares, de parede branca com umas colunas aqui e ali, com grandes janelas de aspecto frágil e com um velho telhado cinzento. Bem ao estilo parisiense…
Entra no familiar edifício e dirige-se à porta número 7. Pára, olha para o inquieto número a vermelho, suspira e, sem saber o que fazia, prega um surdo murro que agitou toda a amedrontada porta.
Afonso estremece com cada passo dado do outro lado da fina porta que ainda tremia. O compasso de espera matava-o de ansiedade. Até que finalmente a porta se abre e um alto rapaz loiro, de olhos azuis, atlético, de tronco nu e apenas de calças de pijama aparece junto dela e começa logo a analisar Afonso com um ar ensonado.
A bocejar e a coçar a cabeça com cabelos longos e desgrenhados falou:
-Qui êtes-vous?
Afonso atarantado responde:
- Hi, I can’t speak french… Sorry, but… Is there any Brigitte?
O rapaz loiro, desconfiado, grita para dentro do desarrumado apartamento:
- Brigitte! Voici un stupide anglais! – E volta para dentro do apartamento.
Ouviu-se um breve chinelar irritante e lá estava ela, tal e qual como ele a lembrava… Uma rapariga de longos cabelos castanhos claro, de olhos de um azul penetrante e com o seu característico ar francês que tanto ele adorava.
- Afonso?! – Ele esboça um sorriso quando ouve o seu nome a ser pronunciado por ela com o seu familiar arranhado sotaque francês – What the fuck?! You… Here? In Paris?
-Brigitte, I can’t, I just can’t… - Com isto Afonso agarra-a e beija-a.
O rapaz loiro volta e começa a gritar.
11 de fevereiro de 2011
Rabiscos Mentirosos

Ela, sem saber o que fazia, corre na direcção dele e abraça-o com todas as suas forças. A angústia de meses explode num soluço e rapidamente desaparece, dando lugar à alegria de o ver. Aperta-o contra o seu volumoso peito e sente o seu amedrontado coração a bombear rapidamente o sangue por todo aquele corpo lesado.
Ela, a chorar, agarra na cara dele e, de olhos pregados nele diz:
-Philip, come back. Come back to me… - e soluça novamente…
O vazio volta e uma pesada lágrima cai nos rabiscos escritos por ela. Os rabiscos que na verdade não passam senão de uma falhada forma de tornar o desejo em realidade. O desejo de o ver, de o sentir, de o amar…
Mas a cruel verdade da morte prematura e longínqua de Philip esmaga, todos os dias, o tosco coração dela, espeta-se-lhe na carne os aguçados punhais que não a deixam viver a mentira que os rabiscos lhe tentam contar. A mentira de o ter para si…
22 de janeiro de 2011
Cirque des Sentiments

Reste avec moi…
Prendeste-me com o teu olhar.
Com a tua doce enganosa voz.
Mal eu sabia que me podias despedaçar,
Com essa tua sedutora mania atroz.
Je t’aime.
Arrêtez de me faire souffrir.
Levianamente agarras num punhal.
Impiedosamente espetas na minha carne.
Deixas uma traiçoeira ferida mortal,
e olhas para trás com escarne.
Je ne t’aime pas…
Je vous hais!
Mataste-me sem preocupação.
Deixaste meu corpo a sangrar.
Apenas poderia ser uma contradição
se ainda te continuasse a amar…
C’est la fin de ce cirque que vous aimez.
12 de janeiro de 2011
O Homem de Smoking Preto

Vivia assim a sua repetitiva vida. Todos os dias seduzia, todos os dias sorria, todos os dias encantava, todos os dias despia-se, todos os dias chorava… Chorava repugnada com aquilo a que era obrigada a fazer diariamente, detestava a sua cruel rotina que se lhe espetava nem punhais no seu cansado corpo.
Mas, foi no meio da multidão que o viu, de elegante smoking preto sobre a branca pele, de cartola na cabeça recheada de pretos cabelos e de hipnotizadores olhos verdes.
Ele, com um brilho que ela não compreendia no olhar, dirigiu-se, acanhadamente, e apresentou-se.
Ambos se entreolharam fascinados e assim ficaram durante longos segundos. Ela, ansiosa, avançou na direcção do jovem rapaz. Sentiu o doce respirar dele no seu pescoço que imediatamente se arrepiou. Ele, não sabendo o que fazia, beijou-a nos seus carnudos lábios vermelhos. Ela deixou escapar uma pesarosa lágrima da sua pálida face branca ainda com os lábios pregados na doce e esguia boca do elegante desconhecido.
9 de novembro de 2010
Lisboa: A Despedida

Volta para os braços de Afonso e mostra-lhe a foto do momento do suave beijo.
Assim passam todo o frio mês de Novembro. Afonso escapulia-se das aulas sempre que podia para ir ter com a sua Brigitte. Encontravam-se em todo o lado. Em Belém, na Expo, nos Restauradores, em Benfica, no Rossio, em todo o lado. Mas, no fim de Novembro, Brigitte, de semblante misterioso, envolve-se nos braços de Afonso. Olha-o nos olhos e diz:
-Take it! – Ela, a tremer, entrega-lhe a modesta magnífica foto que saiu da Polaroid no dia em que se conheceram.
-In the future, if you need me you will look to the picture. You...
-Bri! Why are you so serious? – Pergunta ele já desconcertado.
-Afonso. Tomorrow I’ll be in a flight, to Paris. I must go…
-What?! Tomorrow?! But…
-Shh… - Silencia-o ela com a ajuda do dedo indicador que, delicadamente, escorrega pelos lábios dele.
Depois de se desprender Afonso continua:
-I promised that I wouldn’t let you go!
-I must go! My life is not here. And your life is not in France, because I’m not a part of your life Afonso. – Responde-lhe Brigitte que por momentos deixa escapar uma lágrima.
-Are you insane? – Grita-lhe Afonso. Ela retrai-se, amedrontada. Ele, arrependido, abandona a fúria que lhe transfigurava a cara e, suavemente, diz:
-Please! Bri… I just can’t.
-Afonso, you always knew that I was in Portugal only to visit, not to live! And I hate goodbyes so, it’s only a see you later…
-But do me one last favor: Kiss me…
Afonso, de lágrimas a brotarem-lhe dos olhos, envolve os braços nela e beija-a como nunca antes o fizera. Os lábios de Afonso encontravam-se com os lábios de Brigitte numa fatal sincronizada dança feroz. Era o último beijo...
1 de novembro de 2010
Lisboa: O Momento.

Ele, de braços pregados na cintura de Brigitte, sussurra-lhe ao ouvido:
-Bri, I present you Praça do Comércio.
Ela, maravilhada, espanta-se com a dimensão da praça. Percorre cada milímetro com os seus apressados olhos azuis que tudo queriam analisar, por fim, com um suspiro, prega os olhos no sedutor rio que se estende logo depois da imponente praça.
-Oh mon Dieu! – Escapa-lhe pelos finos lábios que ainda estavam deformados pelo espanto.
Ela, ansiosa, puxa-o pelo braço e começa a correr pela extensa passadeira que liga o Arco da Rua Augusta à Praça.
-Come on! I want to see the square! – Grita Brigitte.
Ele, a sorrir, deixa-se levar pelo fino braço que o puxava. Ela percorre toda a praça ainda a agarrá-lo, arrasta-o até ao final da calçada e, aí, diz-lhe:
-I want a Picture here! With the river behind!
-Ok, I’ll take it. – Responde Afonso.
-No! I want a picture with you. Larga o braço do rapaz, dirige-se a um lisboeta que por lá passava e aborda-o para lhes tirar uma foto. De bom grado o simpático lisboeta aceita.
Ela, agitada, corre de volta para Afonso e abraça-o. Ele, respondendo ao abraço, recolhe-a nos seus braços e beija-a. Nesse preciso momento o lisboeta, de sorriso na cara, tira a foto.
24 de outubro de 2010
Despedida no Cais

-Tenho de ir…
Suspira no seu ouvido, desce os lábios pela sua face e, encontrados os finos lábios dela, beija-a fugazmente, como se do último beijo se tratasse.
Ele suspira uma vez mais, desprende-se dela e vira-lhe costas.
Ela, instintivamente, puxa-o pelo rígido braço que já segurava no pesado malão verde com o símbolo da tropa inglesa. Segura a cara dele com as duas trémulas mãos e, desesperadamente, diz:
-Volta! Volta para mim!
Um grave soluço interrompe-a, ela larga a cara dele e envolve os seus finos braços à cintura dele.
Ele, horrorizado, beija-a ao de leve na sua testa e envolve, também, os seus braços nela.
Um grave som interrompe-os e ele, de olhos pregados nela, grita-lhe:
-Amo-te!
Ela, desamparada, cai no molhado chão. O desespero e o medo trespassam-lhe a alma e ela, agarrada ao peito, grita desesperada. Um grave soluço interrompe o agoniante grito e ela desfaz-se em lágrimas que, cruelmente, caiem no doloroso chão frio.
15 de outubro de 2010
Lisboa: O Começo.

Ele envolve-a com os seus braços e aperta-a contra o seu musculado peito. Ficam, assim, abraçados durante longos preciosos minutos.
Ela, de olhar desafiador, recua e desprende-se dos fortes braços do rapaz lisboeta que acabara de lançar um trejeito de confusão.
Ele abre a boca para lhe perguntar o que acontecera, mas antes da voz se soltar os carnudos lábios foram selados pelo esguio dedo indicador da francesa.
-Shhh- Ordenou ela num sussuro. – My name is Brigitte.- e esboça também ela um sorriso. Um simples, mas sentido sorriso.
Ele, ainda atarantado, responde a gaguejar:
-Oh! What a wonderful name! – Sorri. – My name is Afonso.
Ela, de ar perturbado, vira-lhe costas. Ele, preocupado, desloca-se agilmente para a sua frente. Agarra, delicadamente, no queixo de Brigitte e, de olhos presos nos dela, pergunta:
-What? I missed something?
Ela, ainda perturbada, responde-lhe:
-Afonso! – Com um carregado sotaque francês. – Oh! I can’t say your name! But I love it.
Ele, aliviado, dá sonoras gargalhadas e responde-lhe:
-It doesn’t matter Bri!
-Bri? - Pergunta ela curiosa.
-Yes! Now you are Bri to me! – Sorri.
Abraça-a e beija a sua testa. Desce os seus perturbantes carnudos lábios até aos ouvidos de Brigitte e sussurra-lhe:
-Let me introduce you Lisbon! My city.
Agarra-lhe pelos pulsos e puxa-a na sua direcção. Com uma engenhosa manobra, toma as suas costas, envolve os braços em Brigitte e, assim, guia-a pela Rua Augusta em direcção ao arco do triunfo, a porta de Lisboa.
3 de outubro de 2010
Um Dia de Lisboa

Saturado da aula começa a vigiar o relógio que teima em não se despachar! Suspira e tenta prestar atenção à aula que se mantinha desinteressante. Finalmente ouve o esganiçado toque de saída. Sai, apressadamente, e dirige-se para a estação de metro mais próxima. Desce a longa escada com passos bruscos e rápidos e entra de imediato no metro que se encontrava já na estação (para sua sorte). Tenta procurar um único assento mas não tem sucesso, agarra-se, rigidamente, a uma das vazias pegas do metro e tenta manter o equilíbrio que era atacado pelos solavancos do transporte. Com a mão desocupada mete os enormes head phones nos ouvidos e mete o volume no máximo. Atordoado com os solavancos do metro e pela música aos altos berros, sai na estação do Rossio por engano. Sobe as escadas, sem perceber que se tinha enganado, e chega à cinzenta rua. Quando repara naquela enorme praça petrifica. Tira, lentamente, os head phones, olha para o bilhete que nada lhe diz, olha novamente para a praça e lança um trejeito. Olha para o relógio, conclui que não tem tempo para chegar a horas. Desesperado, começa a olhar para todas as direcções, como se encontrasse a solução assim. Mas, quando estava na sua exaustiva busca pela praça, os seus olhos prendem-se numa alta confusa rapariga de longos cabelos castanhos claro, de olhos de um azul penetrante, de mapa na mão e de máquina fotográfica ao volumoso peito descoberto pelo pequeno decote da gabardine mal abotoada. Ela, num movimento brusco, vira-se para a rua Augusta com um charmoso sorriso espelhado na cara. Num passo acelerado dirige-se para ela. Ele, não sabendo o que fazia, também se dirige para a longa rua. Acelera o passo para a acompanhar. Por entre a multidão ele tenta encontrá-la e quando, finalmente, entra na extensa Rua Augusta perde-a de vista. Desesperado, não sabendo bem porquê, começa à sua procura feito louco. Começa a correr como um lunático, empurrando vários lisboetas que lhe rogavam as mais variadas pragas.
Ele, do nada, tropeça numa pequena mala tiracolo e cai estatelado no chão. Atordoado e confuso não se consegue levantar de imediato. O seu cérebro só começou a ficar nítido quando ouve uma grande exclamação proferida por uma voz suave e atraente. Era ela! A estrangeira que ele vira. Com prontidão ergue-se do chão e dá-lhe a pequena mala. Ela, ainda atarantada, diz-lhe:
-Oh! I’m so sorry. I lost my purse, and you stumbled in her. Thanks, you found her!
Ele apenas lhe sorri. Estava fascinado com o arranhado, mas atraente, sotaque francês no meio daquele fanhoso inglês.
Ele aproxima-se dela e olha-a fixamente. Ela desvia o olhar, corada.
-Please… - Diz ele com uma voz pausada e sedutora.
Ela aproxima-se dele. Ele sente a leve doce respiração dela e, perdendo a cabeça, beija-a de suave nos seus finos lábios. Ela envolve os braços no seu pescoço, larga o mapa que cai no chão e deixa-se cair, suavemente, para trás para ele lhe agarrar com firmeza as suas costas. As pessoas que passavam iam observando-os e comentando. Mas a eles nada importava agora.
Ele interrompe o beijo, e, com os lábios ainda encostados aos dela, diz-lhe:
-I’ll never let you go.
-D’accord! – Diz ela no seu perfeito francês.
19 de agosto de 2010
Cabaret

Ele pragueja enquanto o público enlouquece. Ela, de lágrimas nos olhos, dança. Dança pela sobrevivência, dança pela vida! Ele observa-a de longe, petrificado. A raiva eclodia dentro dele, os punhos contraiam-se, e os ciúmes cegavam-lhe! Nunca se deveria ter apaixonado por uma dançarina de cabaret… Mas ele sabia, ele sabia que ela era dele, que ela o amava, que tudo aquilo era apenas o seu cruel trabalho.
Ela continua a dançar, a dançar para aquela grosseira, sedenta plateia. Ele, furioso, grita. Tudo pára, chocado. Ele retrai-se por um pouco, mas ao vê-la a chorar, indefesa, naquele palco… Volta a gritar:
-Não! Não o faças mais! – Suspira e murmura agora para si: -Estás a matar-me…
Ela abandona o palco, desfeita em lágrimas. O pano vermelho caí e tapa por completo o cruel palco agora sozinho.
5 de agosto de 2010
Come Back!

3 de agosto de 2010
Distúrbios de Guerra
Ele, pesarosamente, andava. Andava pelo meio de corpos desfigurados, sangue derramado, gritos agonizantes, andava pelo meio de uma cruel guerra. E a cada passo que dava sentia-se mais só, mais longe, mais desesperado. Ele apenas queria voltar atrás, para regressar para os braços dela que tanto o esperavam, lá, na longínqua cidade de Londres.Mas não podia, não! Tinha que defrontar uma guerra que nem era sua, uma maldita guerra terrível e nojenta. Essa mesma guerra que arrancara o seu sonho de voltar e o mutilara para o tentar matar, mas não conseguiu! Claro que não! Pois ele ainda acreditava que um dia voltaria para os braços dela. Pois se não acreditasse nisso em nada mais poderia acreditar…
Ele não sabendo o que fazia, deixou-se cair, estafado. Fecha os olhos e sussurra o nome dela.
Não mais voltou a abrir os verdes olhos que a desejavam ver. Mas ela, ela ainda contínua à espera, na longínqua cidade de Londres.
23 de julho de 2010
Just a Stupid Wish

para quem deixei escapar.
Poder, uma vez mais, sentir








