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14 de setembro de 2011

Hipérbole não exagerada



Se pudesse...
Se pudesse subiria o mais alto dos montes e gritava, com toda a minha força, palavras que descrevessem o que sinto por ti...
Mas por mais que subisse o íngreme monte, por mais força que tivesse ao gritar, por mais palavras que empregasse na descrição dos meus sentimentos. O monte não iria ser suficientemente alto, o grito não passaria de um sussurro e as palavras desajeitadas seriam inúteis para te dizer o quanto gosto de ti. 

19 de julho de 2011

Lisboa: O Final

Para veres o episódio anterior: Clica Aqui!

Lisboa: O Final
Ambos saíram da majestosa Torre Eiffel. Afonso segurava a esguia cintura de Brigitte e sussurrava-lhe ao mesmo tempo aos seus delicados ouvidos. Ele afastava os desgrenhados cabelos dela, agitados pelo vento que se tornava feroz, e acariciava a sua feliz face com os seus longos dedos.
Um repentino trovão abate-se sobre a cidade de Paris que já estava pintada de negro pelas espessas nuvens carregadas de mau presságio.
- What?! It was really nice when we left your house… - Disse Afonso, analisando o céu ameaçador.
- I don’t give a shit! I’m with you – Responde Brigitte a sorrir.
Afonso, deliciado, beija-a e envolve-a nos seus fortes braços para a proteger da revoltosa tempestade que ia ganhando força. Os seus já conhecidos lábios dançavam num apaixonado bailado, perfeitamente coreografado e executado, enquanto o vento, aliado com os trovões, rugiam aos ouvidos dos parisienses e dos dois amantes.
Afonso, lentamente, abre os olhos e diz:
-Stay with me…
-Forever – Diz ela comovida.
A pequena fotografia de ambos em Lisboa fora, de súbito, apanhada pela forte tempestade e foi arrastada sem piedade pelo grosseiro vento.
Afonso larga Brigitte e corre atrás da Polaroid que embate no frio chão de Paris no exacto momento em que começa a cair do pesado céu grossas gotas de água.
Afonso apanha a molhada Polaroid e, nesse exacto momento, um berrante som de uma cruel bala disparada irrompe pela frenética cidade que, numa fracção de segundos, se torna sombria e silenciosa.
Afonso olha, cautelosamente, para trás. Vê Brigitte caída na calçada, curiosamente de estilo português, de mãos no peito a jorrar sangue para o chão que já se encontrava alagado pela imparável chuva.
Afonso fica petrificado a olhar para Brigitte e para o tosco mas fatal ladrão que tentava escapar da polícia francesa depois de ter assaltado uma ourivesaria perto da Torre Eiffel e que disparou contra o tímido peito de Brigitte por engano.
Ele, incrédulo, corre na direcção dela. Ajoelha-se e acolhe-a nos seus braços. A chuva embatia nos amantes com força e as lágrimas de Afonso começavam, incessantemente, a brotarem-lhe dos esbugalhados olhos.
-Please… Stay! – Disse ele a agarrar na face dela e a soluçar.
-It would be so perfect… - Dizia ela a divagar.
Afonso agarra-a com mais força contra o seu peito e beija-a nos lábios que já não o acompanhavam na perfeita dança coreografada.
-I’ll always be with you Afonso… - Diz ela. A custo levanta um dos braços e acaricia a face de Afonso ao mesmo tempo que dizia, com o seu sotaque francês:
- Amo-te Afonso.
-Je t’aime – Respondeu ele, beijando-a um última vez.
Um revoltado trovão irrompe nos céus escuros de Lisboa. A cidade da saudade é, assim como Paris, fustigada por terríveis e súbitas intempéries negras que nada mais eram que a materialização de um terrível, amaldiçoado destino cruel.
-Amo-te – Sussurrava ele uma última vez para Bri.





27 de junho de 2011

Last Friday Night


Ela, agarrada ao rapaz que atenciosamente a vigiava, tentava equilibrar-se para não se estatelar na íngreme calçada portuguesa que dava acesso à praia. Aos ziguezagues e a cantar lá ia ela, e todo o seu grupo de amigos, a descer a ruazita ericeirense depois de terem bebido uns quantos shots num dos apinhados bares da vila.
O rapaz larga-a quando chegam ao molhado areal da praia e ela, imediatamente, cai no chão. Começa-se a rir e deita-se por completo na areia. Aponta para o céu estrelado e começa, novamente, a cantar um tolo hit de verão da Katy Perry que, provavelmente, passou na mega fm.
O rapaz loiro, que ainda estava razoavelmente bem, senta-se ao lado dela e sussurra-lhe, para que os restantes não ouvissem, ao ouvido:
-Amo-te.
-“Last Friday Night. Yeah we dances in tabletops, and we took to many shots…” – cantarolava ela a ignorá-lo.
-Ana? Ouve-me!
-“Think we kissed but I forgot. Last Friday Night yeah!” – Continuou ela a dançar com os braços no ar e a abanar os longos cabelos loiros no areal.
Ele, irritado, levanta-se para ir ter com os outros. Mas, antes, ela puxa-lhe pela mão. Ele cai em cima dela. Ela beija-o fugazmente, como se já esperasse por aquele momento há muito tempo. Ele agarra-a com os seus braços e prende-a ao seu corpo. Ela entrelaça as suas pernas nas dele e diz:
-“Think we kissed…
Ele tapa-lhe os lábios com uma das mãos e, para que ela não voltasse a cantar, diz:
-Yes. But we will not forget!

24 de junho de 2011

Traição


Olhei para ti… Era errado. Mas apreciei cada centímetro do teu sedutor corpo que, perigosamente, me atraía. Cada movimento teu, cada gesto teu, cada olhar teu era um cruel chamamento que me cegava a razão e me incendiava o corpo que, ferozmente, pedia por ti.
Tentei abstrair-me da tua venenosa armadilha, a razão tentava impor-se à tão apetecível tentação. Mas quando de ti despreguei o olhar, tu decides vir-me buscar. Olhas para mim com esses teus olhos verdes, esboças um maléfico sorriso que quebra com a minha respiração e que descompassa o meu tímido coração.
Uma suave rajada de vento agita o teu longo cabelo castanho claro que embate na minha desfigurada face. Respiro o teu doce e tentador cheiro e perco mais um pouco da já débil razão. Agarras na minha mão e obrigas o meu braço a abraçar o teu gracioso corpo, que cada vez estava mais próximo do meu.
Por fim, dizes o meu nome dos teus carnudos lábios que, fatalmente, se pregam nos meus. Bastou isso para exterminar a razão. Entrego-me a ti. Seguro nas tuas ancas para não fugires. Tu agarras o meu pescoço. Os nossos lábios ainda se exploram e os nossos traidores corações palpitam em conjunto nos nossos vis corpos que se entregam, assim tão facilmente, ao tentador crime da traição.

23 de junho de 2011

Lisboa: O Retorno

(Últimos Episódios)
Para ver o último episódio: Clica Aqui!

Afonso ainda estava deitado na cama de sorriso no rosto. Brigitte pegou nas esguias calças de ganga, pegou no top preto que comprara em Lisboa com Afonso a dizer: I Lisbon. E vestiu-o. Ela lança um comprometido olhar a Afonso pois sabia que ele adorava vê-la com aquela t-shirt que lhe acentuavam os já volumosos seios. Ele, que a analisava cuidadosamente, diz:
-I know that shirt.
-Yes… And now it’s my turn to present you Paris. C’mon, get your fat ass off the bed! – Diz ela em jeito de brincadeira.
-Hum…- responde Afonso- Ok, It seems like a good plan!
Rapidamente Afonso se vestiu. Saíram do caótico apartamento e dirigiram-se à, já apinhada, rua parisiense. Estava um dia bonito, o céu estava azul, apenas no horizonte se viam negras nuvens, o clima estava ameno, corria uma morna brisa que permitia ter apenas uma camisola por cima da pele. Havia já aventureiros de calções e t-shirts.
Lado a lado iam caminhando pelas ruas de Paris, Brigitte ia descrevendo tudo o que via. Estava verdadeiramente animada.
Afonso, de súbito pára, agarra na mão de Brigitte para a imobilizar também, com a outra mão agarra-lhe o pescoço e beija-a. Os tão já familiares lábios exploravam-se sempre com a mesma vivacidade e prazer da primeira vez que se beijaram. O repentino beijo foi interrompido por uma suave mordidela de Brigitte no lábio inferior de Afonso. Sorriram e Brigitte pergunta:
-What was that? I was talking!
-I know, I just had a great desire of kissing you – respondeu ele a sorrir maliciosamente.
Ela sorri-lhe e ele exclama:
- Take me to the Eiffel Tower!
-Ok… But that’s so cliché! – Diz Brigitte a revirar os olhos.
- Please… - Suplica Afonso.
-I’m already walking! – Responde-lhe ela.
Rapidamente chegaram à imponente torre de ferro. Entraram num elevador para se conseguir ver a maravilhosa vista sobre Paris. Afonso rodeia Brigitte com os seus braços, aperta-a com força contra o seu peito, encosta os seus lábios nos dela e diz:
-I just want you, for the rest of my life Bri…
Ele tira do bolso a foto que haviam tirado em Lisboa quando se conheceram, deu-lha. Ela agarra na foto e deixa escapar uma lágrima que cai suavemente na foto lisboeta. Eles beijavam-se, novamente, sobre o olhar atento da cidade dos amantes.

10 de junho de 2011

Estranhos


- “O morno vento levou-me até ti. Vi-te defronte a ele. Estavas a mexer no teu desgrenhado cabelo castanho e sorrias divinamente, como só tu o fazes.
Eu desejava-te, de longe, analisava cada movimento do teu perfeito corpo. Os gestos delicados, as expressões genuínas, as gargalhadas melódicas, o brilho dos olhos verdes, a graciosidade do passo. Em ti tudo apreciava, de longe.
Tu deste comigo e, como tantas vezes já o tinhas feito, lanças-me um impiedoso sorriso sedutor que me trespassou o corpo e me congelou a respiração. Fiquei vidrado em ti e só descongelei quando já estavas nos braços dele e quando os teu cruéis lábios estavam já pregados nos dele, o miserável!
Eu avançava, depois, na tua direcção, mas nada fazia… Tu olhavas-me nos olhos e lançavas-me um novo sorriso provocador. Eu apenas me afastava, mordendo o meu lábio com raiva. Nunca me aproximava, pois a nossa relação sentia-se de longe, bem longe… Não passávamos de estranhos…”
- “Uns sedentos estranhos que acabaram por cometer o pecado”.
Ela sorri diabolicamente, os seus braços de anjo agarram o meu pescoço e beija-me. 

6 de maio de 2011

Lisboa: A Entrega (Últimos episódios!)

Pois é, aqui está mais um episódio desta novela que já dura...
Por isso posso já garantir que estamos na fase de: Últimos Episódios

Episódio anterior: AQUI

Lisboa: A Entrega



Afonso ignora o gutural desesperado grito do rapaz loiro e agarra firmemente Brigitte, como se a quisesse proteger.
O rapaz chega, de novo, perto da branca porta, separa-os e, de olhos nos olhos com Brigitte diz muito alarmado:
- Je dois me dépêcher et ne trouve pas ma veste noire! Oh… Après tout, c'est le célèbre garçon portugais? C'est très beau!* – Pisca o olho a Brigitte de forma perversa e volta para dentro do apertado apartamento.
Afonso lança um olhar bastante confuso a Brigitte. Não percebia nada de francês, mas ainda percebia menos de toda aquela curiosa e bizarra situação.
-Oh! – disse ela timidamente com o seu arranhado lindo sotaque – Sorry… That guy was Launce. Ao ver que Afonso ainda estava confuso apressou-se a dizer:
- He is my best friend! He is gay… Relax!
Ao ouvir estas últimas quatro palavras Afonso percebeu toda aquela estranha situação.
-Ah! Ok, I thought… - Foi interrompido por Brigitte que pregara o seu fino dedo nos desejosos lábios dele. Aproxima-se para, uma vez mais, o beijar e ele assente toda aquela tentadora provocação dela.
Não lhe resistindo ele beija-a com paixão e começa, como se de um reflexo se tratasse, a despir-lhe a pequena t-shirt preta decotada com a torre Eiffel no meio dos volumosos seios. Ela esboça um pequeno sorriso enquanto o beijava e, do nada, morde-lhe o lábio inferior suavemente com malícia. Com isto ela arrasta-o para dentro do desarrumado apartamento e guia-o para o seu quarto pouco espaçoso.
Ele cai na pequena cama de Brigitte e ela enrosca-se nele, beijavam-se novamente e iam-se entregando aos suplicantes desejos do prazer carnal à medida que os nervosos descompassados corações bombeavam o frenético sangue por todas as suas tímidas veias.
Launce, ainda desnorteado, entra de rompante no quarto quando já os amantes se encontravam semi-nus. Pára por um momento, esquece o casaco e fixa-se no corpo escultural de Afonso. Brigitte, irritada, grita:
-Sortez Launce! Déficient!
Ele apenas lhe responde com um revoltado revirar de olhos e sai porta fora, deixando-os em paz.
Brigitte fixa o olhar de Afonso e, como se lhe quisesse ler a alma, sussurra:
- You are just mine! Until my death!


*"Tenho de me despachar e não encontro aquele meu casaco preto. Oh... Afinal é este o famoso rapaz português? É bem giro!"

31 de março de 2011

Lisboa: Reencontro

AQUI o último episódio!

Lisboa: O Reencontro

Passada uma semana…


Afonso sai da barata pensão, mais uma vez, cheio de coragem. Atravessa a apertada fria rua e enfia-se no caótico metro já conhecido da sua já conhecida cidade de Paris.
Afonso encontrara o apartamento de Brigitte logo no segundo dia da inconsciente viagem, mas ainda não tinha arranjado a coragem de lá ir…
Sai novamente na mesma estação onde ontem estivera e olha para o pequeno tosco prédio de três andares, de parede branca com umas colunas aqui e ali, com grandes janelas de aspecto frágil e com um velho telhado cinzento. Bem ao estilo parisiense…
Entra no familiar edifício e dirige-se à porta número 7. Pára, olha para o inquieto número a vermelho, suspira e, sem saber o que fazia, prega um surdo murro que agitou toda a amedrontada porta.
Afonso estremece com cada passo dado do outro lado da fina porta que ainda tremia. O compasso de espera matava-o de ansiedade. Até que finalmente a porta se abre e um alto rapaz loiro, de olhos azuis, atlético, de tronco nu e apenas de calças de pijama aparece junto dela e começa logo a analisar Afonso com um ar ensonado.
A bocejar e a coçar a cabeça com cabelos longos e desgrenhados falou:
-Qui êtes-vous?
Afonso atarantado responde:
- Hi, I can’t speak french… Sorry, but… Is there any Brigitte?
O rapaz loiro, desconfiado, grita para dentro do desarrumado apartamento:
- Brigitte! Voici un stupide anglais! – E volta para dentro do apartamento.
Ouviu-se um breve chinelar irritante e lá estava ela, tal e qual como ele a lembrava… Uma rapariga de longos cabelos castanhos claro, de olhos de um azul penetrante e com o seu característico ar francês que tanto ele adorava.
- Afonso?! – Ele esboça um sorriso quando ouve o seu nome a ser pronunciado por ela com o seu familiar arranhado sotaque francês – What the fuck?! You… Here? In Paris?
-Brigitte, I can’t, I just can’t… - Com isto Afonso agarra-a e beija-a.
O rapaz loiro volta e começa a gritar.

11 de fevereiro de 2011

Rabiscos Mentirosos


Ela, eufórica, sorri quando o vê – de barba rala, de verdes olhos confusos e brilhantes, de farda verde-escura gasta, de feridas profundas na cara e nos braços sujos – a desembarcar do grande navio que trazia os tristonhos ansiosos retornados da avassaladora guerra.
Ela, sem saber o que fazia, corre na direcção dele e abraça-o com todas as suas forças. A angústia de meses explode num soluço e rapidamente desaparece, dando lugar à alegria de o ver. Aperta-o contra o seu volumoso peito e sente o seu amedrontado coração a bombear rapidamente o sangue por todo aquele corpo lesado.
Ela, a chorar, agarra na cara dele e, de olhos pregados nele diz:
-Philip, come back. Come back to me… - e soluça novamente…
O vazio volta e uma pesada lágrima cai nos rabiscos escritos por ela. Os rabiscos que na verdade não passam senão de uma falhada forma de tornar o desejo em realidade. O desejo de o ver, de o sentir, de o amar…
Mas a cruel verdade da morte prematura e longínqua de Philip esmaga, todos os dias, o tosco coração dela, espeta-se-lhe na carne os aguçados punhais que não a deixam viver a mentira que os rabiscos lhe tentam contar. A mentira de o ter para si…

22 de janeiro de 2011

Cirque des Sentiments



Je t’aime.
Reste avec moi…

Prendeste-me com o teu olhar.
Com a tua doce enganosa voz.
Mal eu sabia que me podias despedaçar,
Com essa tua sedutora mania atroz.

Je t’aime.
Arrêtez de me faire souffrir.

Levianamente agarras num punhal.
Impiedosamente espetas na minha carne.
Deixas uma traiçoeira ferida mortal,
e olhas para trás com escarne.

Je ne t’aime pas…
Je vous hais!

Mataste-me sem preocupação.
Deixaste meu corpo a sangrar.
Apenas poderia ser uma contradição
se ainda te continuasse a amar…

C’est la fin de ce cirque que vous aimez.

12 de janeiro de 2011

O Homem de Smoking Preto


Ela, de vestido vermelho, pernas finas, ancas largas, seios volumosos, cabelo longo e negro, pele branca nem estátua grega, carnudos lábios, grandes olhos azuis, perfurou a sedenta multidão. Todos eles a desejam, mas a ela ninguém interessa.
Vivia assim a sua repetitiva vida. Todos os dias seduzia, todos os dias sorria, todos os dias encantava, todos os dias despia-se, todos os dias chorava… Chorava repugnada com aquilo a que era obrigada a fazer diariamente, detestava a sua cruel rotina que se lhe espetava nem punhais no seu cansado corpo.
Mas, foi no meio da multidão que o viu, de elegante smoking preto sobre a branca pele, de cartola na cabeça recheada de pretos cabelos e de hipnotizadores olhos verdes.
Ele, com um brilho que ela não compreendia no olhar, dirigiu-se, acanhadamente, e apresentou-se.
Ambos se entreolharam fascinados e assim ficaram durante longos segundos. Ela, ansiosa, avançou na direcção do jovem rapaz. Sentiu o doce respirar dele no seu pescoço que imediatamente se arrepiou. Ele, não sabendo o que fazia, beijou-a nos seus carnudos lábios vermelhos. Ela deixou escapar uma pesarosa lágrima da sua pálida face branca ainda com os lábios pregados na doce e esguia boca do elegante desconhecido.

9 de novembro de 2010

Lisboa: A Despedida

Lisboa: A Despedida

Ela interrompe o suave beijo com um rasgado sorriso. Suspira e delicadamente sai dos braços de Afonso. Recompõe-se e dirige-se ao Lisboeta que ainda segurava na máquina Polaroid que já tinha a foto imprimida.
Volta para os braços de Afonso e mostra-lhe a foto do momento do suave beijo.
Assim passam todo o frio mês de Novembro. Afonso escapulia-se das aulas sempre que podia para ir ter com a sua Brigitte. Encontravam-se em todo o lado. Em Belém, na Expo, nos Restauradores, em Benfica, no Rossio, em todo o lado. Mas, no fim de Novembro, Brigitte, de semblante misterioso, envolve-se nos braços de Afonso. Olha-o nos olhos e diz:
-Take it! – Ela, a tremer, entrega-lhe a modesta magnífica foto que saiu da Polaroid no dia em que se conheceram.
-In the future, if you need me you will look to the picture. You...
-You will know that I kinda love you. – Prossegue Brigitte que com mágoa sorri-lhe.
-Bri! Why are you so serious? – Pergunta ele já desconcertado.
-Afonso. Tomorrow I’ll be in a flight, to Paris. I must go…
-What?! Tomorrow?! But…
-Shh… - Silencia-o ela com a ajuda do dedo indicador que, delicadamente, escorrega pelos lábios dele.
Depois de se desprender Afonso continua:
-I promised that I wouldn’t let you go!
-I must go! My life is not here. And your life is not in France, because I’m not a part of your life Afonso. – Responde-lhe Brigitte que por momentos deixa escapar uma lágrima.
-Are you insane? – Grita-lhe Afonso. Ela retrai-se, amedrontada. Ele, arrependido, abandona a fúria que lhe transfigurava a cara e, suavemente, diz:
-Please! Bri… I just can’t.
-Afonso, you always knew that I was in Portugal only to visit, not to live! And I hate goodbyes so, it’s only a see you later…
-But do me one last favor: Kiss me…
Afonso, de lágrimas a brotarem-lhe dos olhos, envolve os braços nela e beija-a como nunca antes o fizera. Os lábios de Afonso encontravam-se com os lábios de Brigitte numa fatal sincronizada dança feroz. Era o último beijo...

1 de novembro de 2010

Lisboa: O Momento.

Lisboa (3º episódio)
Clica aqui → Se quiseres ler o episódio passado!

Ele, de braços pregados na cintura de Brigitte, sussurra-lhe ao ouvido:
-Bri, I present you Praça do Comércio.
Ela, maravilhada, espanta-se com a dimensão da praça. Percorre cada milímetro com os seus apressados olhos azuis que tudo queriam analisar, por fim, com um suspiro, prega os olhos no sedutor rio que se estende logo depois da imponente praça.
-Oh mon Dieu! – Escapa-lhe pelos finos lábios que ainda estavam deformados pelo espanto.
Ela, ansiosa, puxa-o pelo braço e começa a correr pela extensa passadeira que liga o Arco da Rua Augusta à Praça.
-Come on! I want to see the square! – Grita Brigitte.
Ele, a sorrir, deixa-se levar pelo fino braço que o puxava. Ela percorre toda a praça ainda a agarrá-lo, arrasta-o até ao final da calçada e, aí, diz-lhe:
-I want a Picture here! With the river behind!
-Ok, I’ll take it. – Responde Afonso.
-No! I want a picture with you. Larga o braço do rapaz, dirige-se a um lisboeta que por lá passava e aborda-o para lhes tirar uma foto. De bom grado o simpático lisboeta aceita.
Ela, agitada, corre de volta para Afonso e abraça-o. Ele, respondendo ao abraço, recolhe-a nos seus braços e beija-a. Nesse preciso momento o lisboeta, de sorriso na cara, tira a foto.

24 de outubro de 2010

Despedida no Cais


Ela, de olhos pregados no chão, deixa cair uma pesada lágrima. Ele, a tremer, agarra no seu queixo e levanta-lhe o triste semblante. Os seus verdes olhos encontram os azuis olhos dela. Ambos se olham, ele contemplava toda a perfeição dela. Ela apenas retribuía com um profundo olhar de mágoa. Ambos se olham por longos minutos e nada dizem. Ele avança, encosta os lábios nos delicados ouvidos dela e sussurra:
-Tenho de ir…
Suspira no seu ouvido, desce os lábios pela sua face e, encontrados os finos lábios dela, beija-a fugazmente, como se do último beijo se tratasse.
Ele suspira uma vez mais, desprende-se dela e vira-lhe costas.
Ela, instintivamente, puxa-o pelo rígido braço que já segurava no pesado malão verde com o símbolo da tropa inglesa. Segura a cara dele com as duas trémulas mãos e, desesperadamente, diz:
-Volta! Volta para mim!
Um grave soluço interrompe-a, ela larga a cara dele e envolve os seus finos braços à cintura dele.
Ele, horrorizado, beija-a ao de leve na sua testa e envolve, também, os seus braços nela.
Um grave som interrompe-os e ele, de olhos pregados nela, grita-lhe:
-Amo-te!
Ela, desamparada, cai no molhado chão. O desespero e o medo trespassam-lhe a alma e ela, agarrada ao peito, grita desesperada. Um grave soluço interrompe o agoniante grito e ela desfaz-se em lágrimas que, cruelmente, caiem no doloroso chão frio.

15 de outubro de 2010

Lisboa: O Começo.

Uma leitora do blog desafiou-me a continuar a história do post "Um dia de Lisboa" e aqui está a continuação :D
Espero que gostem.
Ps: Estes textos contem diálogos em Inglês, desculpem =X Tenho que manter a "credibilidade" da história xD
Lisboa: O Começo.



Ele, ainda com os lábios encostados aos dela, esboça um sincero sorriso que lhe transfigura a face. Suspira e volta a beijá-la.
Ele envolve-a com os seus braços e aperta-a contra o seu musculado peito. Ficam, assim, abraçados durante longos preciosos minutos.
Ela, de olhar desafiador, recua e desprende-se dos fortes braços do rapaz lisboeta que acabara de lançar um trejeito de confusão.
Ele abre a boca para lhe perguntar o que acontecera, mas antes da voz se soltar os carnudos lábios foram selados pelo esguio dedo indicador da francesa.
-Shhh- Ordenou ela num sussuro. – My name is Brigitte.- e esboça também ela um sorriso. Um simples, mas sentido sorriso.
Ele, ainda atarantado, responde a gaguejar:
-Oh! What a wonderful name! – Sorri. – My name is Afonso.
Ela, de ar perturbado, vira-lhe costas. Ele, preocupado, desloca-se agilmente para a sua frente. Agarra, delicadamente, no queixo de Brigitte e, de olhos presos nos dela, pergunta:
-What? I missed something?
Ela, ainda perturbada, responde-lhe:
-Afonso! – Com um carregado sotaque francês. – Oh! I can’t say your name! But I love it.
Ele, aliviado, dá sonoras gargalhadas e responde-lhe:
-It doesn’t matter Bri!
-Bri? - Pergunta ela curiosa.
-Yes! Now you are Bri to me! – Sorri.
Abraça-a e beija a sua testa. Desce os seus perturbantes carnudos lábios até aos ouvidos de Brigitte e sussurra-lhe:
-Let me introduce you Lisbon! My city.
Agarra-lhe pelos pulsos e puxa-a na sua direcção. Com uma engenhosa manobra, toma as suas costas, envolve os braços em Brigitte e, assim, guia-a pela Rua Augusta em direcção ao arco do triunfo, a porta de Lisboa.

3 de outubro de 2010

Um Dia de Lisboa


Saturado da aula começa a vigiar o relógio que teima em não se despachar! Suspira e tenta prestar atenção à aula que se mantinha desinteressante. Finalmente ouve o esganiçado toque de saída. Sai, apressadamente, e dirige-se para a estação de metro mais próxima. Desce a longa escada com passos bruscos e rápidos e entra de imediato no metro que se encontrava já na estação (para sua sorte). Tenta procurar um único assento mas não tem sucesso, agarra-se, rigidamente, a uma das vazias pegas do metro e tenta manter o equilíbrio que era atacado pelos solavancos do transporte. Com a mão desocupada mete os enormes head phones nos ouvidos e mete o volume no máximo. Atordoado com os solavancos do metro e pela música aos altos berros, sai na estação do Rossio por engano. Sobe as escadas, sem perceber que se tinha enganado, e chega à cinzenta rua. Quando repara naquela enorme praça petrifica. Tira, lentamente, os head phones, olha para o bilhete que nada lhe diz, olha novamente para a praça e lança um trejeito. Olha para o relógio, conclui que não tem tempo para chegar a horas. Desesperado, começa a olhar para todas as direcções, como se encontrasse a solução assim. Mas, quando estava na sua exaustiva busca pela praça, os seus olhos prendem-se numa alta confusa rapariga de longos cabelos castanhos claro, de olhos de um azul penetrante, de mapa na mão e de máquina fotográfica ao volumoso peito descoberto pelo pequeno decote da gabardine mal abotoada. Ela, num movimento brusco, vira-se para a rua Augusta com um charmoso sorriso espelhado na cara. Num passo acelerado dirige-se para ela. Ele, não sabendo o que fazia, também se dirige para a longa rua. Acelera o passo para a acompanhar. Por entre a multidão ele tenta encontrá-la e quando, finalmente, entra na extensa Rua Augusta perde-a de vista. Desesperado, não sabendo bem porquê, começa à sua procura feito louco. Começa a correr como um lunático, empurrando vários lisboetas que lhe rogavam as mais variadas pragas.
Ele, do nada, tropeça numa pequena mala tiracolo e cai estatelado no chão. Atordoado e confuso não se consegue levantar de imediato. O seu cérebro só começou a ficar nítido quando ouve uma grande exclamação proferida por uma voz suave e atraente. Era ela! A estrangeira que ele vira. Com prontidão ergue-se do chão e dá-lhe a pequena mala. Ela, ainda atarantada, diz-lhe:
-Oh! I’m so sorry. I lost my purse, and you stumbled in her. Thanks, you found her!
Ele apenas lhe sorri. Estava fascinado com o arranhado, mas atraente, sotaque francês no meio daquele fanhoso inglês.
Ele aproxima-se dela e olha-a fixamente. Ela desvia o olhar, corada.
-Please… - Diz ele com uma voz pausada e sedutora.
Ela aproxima-se dele. Ele sente a leve doce respiração dela e, perdendo a cabeça, beija-a de suave nos seus finos lábios. Ela envolve os braços no seu pescoço, larga o mapa que cai no chão e deixa-se cair, suavemente, para trás para ele lhe agarrar com firmeza as suas costas. As pessoas que passavam iam observando-os e comentando. Mas a eles nada importava agora.
Ele interrompe o beijo, e, com os lábios ainda encostados aos dela, diz-lhe:
-I’ll never let you go.
-D’accord! – Diz ela no seu perfeito francês.

19 de agosto de 2010

Cabaret


Ele senta-se num dos vermelhos cadeirões que proliferam a dourada sala de cortinados vermelhos. A devastadora música começa, ele suspira, ela estremece. Nervosa, avança para o nojento palco onde a aguardavam. O coração dele explode em desgosto quando vê que, com um só pé, ela pisa o palco e que a multidão de famintos homens, imediatamente, aplaude em euforia. Ela recua, arrependida. Deixa escapar uma lágrima, respira fundo e avança, desnudada, de cabeça erguida.
Ele pragueja enquanto o público enlouquece. Ela, de lágrimas nos olhos, dança. Dança pela sobrevivência, dança pela vida! Ele observa-a de longe, petrificado. A raiva eclodia dentro dele, os punhos contraiam-se, e os ciúmes cegavam-lhe! Nunca se deveria ter apaixonado por uma dançarina de cabaret… Mas ele sabia, ele sabia que ela era dele, que ela o amava, que tudo aquilo era apenas o seu cruel trabalho.
Ela continua a dançar, a dançar para aquela grosseira, sedenta plateia. Ele, furioso, grita. Tudo pára, chocado. Ele retrai-se por um pouco, mas ao vê-la a chorar, indefesa, naquele palco… Volta a gritar:
-Não! Não o faças mais! – Suspira e murmura agora para si: -Estás a matar-me…
Ela abandona o palco, desfeita em lágrimas. O pano vermelho caí e tapa por completo o cruel palco agora sozinho.

5 de agosto de 2010

Come Back!

"Come back".
"Come back to me".



Fecha os olhos, respira fundo.
Esquece tudo e por um segundo,
recorda-te da minha exasperante espera
que me aterroriza nem uma quimera!


Por favor, por favor volta,
antes que o destino expluda em revolta.

3 de agosto de 2010

Distúrbios de Guerra

Ele, pesarosamente, andava. Andava pelo meio de corpos desfigurados, sangue derramado, gritos agonizantes, andava pelo meio de uma cruel guerra. E a cada passo que dava sentia-se mais só, mais longe, mais desesperado. Ele apenas queria voltar atrás, para regressar para os braços dela que tanto o esperavam, lá, na longínqua cidade de Londres.
Mas não podia, não! Tinha que defrontar uma guerra que nem era sua, uma maldita guerra terrível e nojenta. Essa mesma guerra que arrancara o seu sonho de voltar e o mutilara para o tentar matar, mas não conseguiu! Claro que não! Pois ele ainda acreditava que um dia voltaria para os braços dela. Pois se não acreditasse nisso em nada mais poderia acreditar…
Ele não sabendo o que fazia, deixou-se cair, estafado. Fecha os olhos e sussurra o nome dela.
Não mais voltou a abrir os verdes olhos que a desejavam ver. Mas ela, ela ainda contínua à espera, na longínqua cidade de Londres.
Ps: Isto é um tributo ao melhor filme/livro de sempre: Expiação.

23 de julho de 2010

Just a Stupid Wish

Quem me dera poder abraçar-te.
Quem me dera poder beijar-te.




Poder, uma vez mais, olhar
para quem deixei escapar.
Poder, uma vez mais, sentir
sem ter antes que partir.


Poder, uma vez mais, sussurrar
para que me voltes a amar.
Poder, uma vez mais, mentir
para, novamente, te atrair.